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Mundo paralelo: pessoas presas em devaneios viciantes

Mundo interno dominado por fantasias: distúrbio rouba horas do dia, afeta vida social e produtividade; dois a quatro por cento da população adulta são afetados

Serenity Strull/ BBC/ Getty Images Artwork which shows a young girl whose face is separated from the rest of her head looking towards the sky and surrounded by hazy pink flowers (Credit: Serenity Strull/ BBC/ Getty Images)
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  • A condição conhecida como dia- sonho disfuncional (maladaptive daydreaming, MD) ocorre quando a pessoa fica imersa em fantasias por longos períodos, às vezes até doze horas por dia, atrapalhando a vida diária.
  • Estima-se que entre dois e quatro por cento da população adulta possa ter MD.
  • A MD pode começar na infância ou adolescência e costuma estar ligada a traumas, carência emocional e dificuldades de regulação emocional; há também associações com autismo, TDAH e OCD.
  • Casos descritos incluem Kyla Borcherds e Maria, que usam as fantasias como “lugar seguro” ou compensação emocional, impactando a carreira e as relações sociais.
  • Ainda não há tratamento formal estabelecido; as evidências iniciais são encorajadoras, e especialistas ressaltam que MD é distinto de outras condições, com uma experiência interna de fantasia narrativa imersiva.

O que é a distorção da realidade interna? Um grupo de pessoas vive um cinema particular na cabeça, com histórias e personagens que se repetem por décadas. Em casos graves, esse pensamento pode ocupar parte significativa do dia, prejudicando a vida cotidiana.

Especialistas descrevem a condição como maladaptive daydreaming (MD): sonhar acordado de forma tão envolvente que atrapalha funções diárias. Em situações extremas, relatos indicam até 12 horas diárias dedicadas a esses mundos imaginários, gerando sofrimento e isolamento.

A prevalência não é tão rara quanto se imagina. Pesquisadores estimam que 2% a 4% da população adulta possa apresentar MD, ainda sem consenso sobre diagnóstico formal. O quadro costuma se tornar um ciclo de compulsão e perda de controle.

Em termos práticos, o MD pode nascer de necessidades emocionais não atendidas, oferecendo uma sensação de presença e validação. Narrativas internas costumam envolver temas de sucesso, aceitação e heroísmo, fortalecendo o vínculo com esse universo paralelo.

Casos ilustram a dinâmica: experiências de pessoas que desde a infância criam mundos alternativos para lidar com situações de desconforto social ou emocional. Com o tempo, a prática pode se tornar uma rotina de horas diárias, levando à retirada de atividades reais.

A relação com saúde mental é complexa. Pesquisas associam MD a traumas na infância, bem como a dificuldades de regulação emocional. Em grupos com autismo ou transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, o fenômeno pode ocorrer com maior frequência, segundo estudos.

Tratamentos formais ainda não estão estabelecidos de maneira unificada. Pesquisadores observam sinais promissores de abordagens terapêuticas, com intervenções voltadas à regulação emocional, manejo de gatilhos e estratégias para reduzir a dependência do mundo interno.

Estudos destacam que MD não deve ser confundido com ADHD, OCD ou apenas dissociação. O fenômeno possui uma fenomenologia própria, centrada na fantasia narrativa imersiva, absorção dissociativa e investimento emocional num mundo interno.

Casos de vida real ajudam a esclarecer o impacto. Uma mulher relata ter ficado presa a jornadas internas durante a maior parte da carreira, dificultando promoções e participação em atividades profissionais. Outra pessoa descreve o MD como um refúgio diante de sentimentos de inadequação.

Profissionais ressaltam a importância de reconhecer o MD como possível transtorno, sem estigmatizar quem o vive. A discussão científica continua, com estudos que buscam compreender melhor causas, gatilhos e opções de tratamento para quem convive com esse “mundo paralelo” diário.

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