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Cardiologista avalia como ronco pode impactar a pressão arterial

Ronco intenso no sono pode elevar a pressão arterial; estudo com 12.287 pessoas revela quase o dobro de risco de hipertensão não controlada

CPAP apneia do sono
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  • Estudo com 12.287 pessoas acompanhou o sono por cerca de seis meses, com monitoramento diário.
  • Sensores sob o colchão mediram o tempo de ronco e sinais de apneia, e a pressão arterial foi avaliada ao longo do estudo.
  • Aproximadamente 29% roncaram por mais de 10% do período de sono; 14% roncavam por mais de 20% da noite.
  • Pessoas que passaram mais tempo roncando apresentaram quase o dobro do risco de hipertensão não controlada, mesmo ajustando por idade, sexo, índice de massa corporal e apneia.
  • O cardiologista aponta que ronco frequente, com pausas na respiração, eleva atividade do sistema nervoso e pode indicar obstrução das vias aéreas, aumentando riscos cardiovasculares; buscar avaliação médica se o ronco for intenso ou persistente.

O ronco durante o sono pode estar associado ao aumento da pressão arterial, segundo estudo da Universidade Flinders, na Austrália, publicado em 2024. A pesquisa acompanhou 12.287 pessoas por cerca de seis meses, monitorando ronco, apneia do sono e pressão arterial.

Sensores sob o colchão acompanharam o tempo de ronco e sinais de apneia, enquanto a pressão arterial era medida ao longo do estudo. Cerca de 20% dos participantes tinham hipertensão não controlada. O ronco por mais de 10% do sono atingiu 29% dos voluntários; mais de 20% do tempo de sono com ronco ocorreu em 14%.

Os autores apontaram que quem roncou mais apresentou quase o dobro de risco de hipertensão não controlada, mesmo ajustando por idade, sexo, índice de massa corporal e apneia do sono. O estudo reforça a necessidade de monitoramento objetivo do ronco como possível alerta de problemas cardiovasculares.

A relação entre ronco e pressão arterial foi analisada pela equipe liderada pelo cardiologista Firmino Haag, coordenador da Cardiologia do Hospital Albert Sabin. Haag explica que o risco aumenta quando o ronco ocorre com pausas respiratórias e sono fragmentado, elevando a atividade do sistema nervoso e reduzindo o oxigênio.

Para Haag, o ronco é sinal de estreitamento das vias aéreas que pode impactar o coração, o cérebro e o metabolismo. O profissional ressalta que essa condição exige atenção, especialmente quando é frequente, intenso ou acompanhado de respirações interrompidas.

O ronco, segundo o cardiologista, pode indicar condições como a apneia obstrutiva do sono. Nessas situações, o risco cardiovascular aumenta, com possibilidade de hipertensão resistente, arritmias e maior chance de infarto e AVC.

Quando o ronco é intenso e persistente, ou vem acompanhado de outros sintomas, a recomendação é buscar avaliação médica. Pessoas com roncos altos, pausas na respiração, tosse noturna, sonolência diurna excessiva ou hipertensão de difícil controle devem procurar orientação especializada.

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