- Estudo francês publicado na revista Pain mostra que a resposta ao choro de dor de bebês depende mais da empatia do indivíduo do que do gênero.
- O trabalho foi realizado no Hospital Universitário de Saint-Étienne, com 80 participantes e 20 bebês cujos choros foram gravados em casa ou em hospitais.
- Participaram homens e mulheres, com ou sem filhos, que ouviram os choros enquanto faziam ressonância magnética funcional (fMRI).
- Os resultados indicam ativação de várias regiões cerebrais, sem grandes diferenças entre pais e mães; o aprendizado diário com o bebê molda essa sensibilidade.
- Conclusão: a empatia individual é o principal fator determinante para a sensibilidade ao choro, não o gênero; futuras etapas vão investigar reações a choros de bebês conhecidos.
O estudo francês publicado na revista Pain mostrou que a reação ao choro de dor de bebês depende mais da empatia do indivíduo do que do gênero. A pesquisa ocorreu no Hospital Universitário de Saint-Étienne, no sudeste da França, com uso de áudios gravados por pais ou em hospitais.
Foram coletados choros de cerca de 20 crianças entre 2018 e 2019, envolvendo meninos e meninas. Ao todo, 80 adultos participaram da experiência, com ou sem filhos, e passaram por exames de ressonância magnética funcional enquanto ouviam sons de bebês desconhecidos.
Os pesquisadores, liderados pelo neurocientista Camille Fauchon, do Inserm, buscaram identificar as áreas cerebrais ativadas ao ouvir o choro. Os áudios foram usados para comparar respostas entre pais, mães, homens e mulheres, com ou sem filhos.
Durante a escuta, diversas estruturas cerebrais foram ativadas, sem diferenças marcantes entre os grupos. O tempo dedicado aos cuidados com a criança acabou sendo o fator determinante, segundo Fauchon, apontando para a influência do aprendizado diário.
Por que nosso cérebro reage assim
Segundo o pesquisador, o choro de dor dos bebês possui características sonoras que captam a atenção dos adultos, estimulando respostas de cuidado. Esse mecanismo é visto como adaptação evolutiva, que favorece a cooperação parental.
A audição atua primeiro nos lobos temporais, seguidos pela ativação de áreas frontoparietais ligadas à empatia. Em paralelo, a amígdala e a ínsula anterior geram a resposta afetiva e ajudam a regular a emoção.
Outra rede envolvida é a chamada vigilância parental, associada a áreas subcorticais ligadas à orientação da atenção e à iniciativa de cuidado. A empatia individual modulou significativamente a intensidade dessas respostas.
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