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Estudo aponta hipóteses sobre tubarão que vive 400 anos

Genoma do tubarão-da-Groenlândia aponta dois mecanismos genéticos associados à longevidade extrema, com potencial impacto na medicina humana

Imagem em close-up de um tubarão-da-Groenlândia tirada na borda do bloco de gelo da Enseada do Almirantado, Nunavut, ao norte do Canadá — Foto: Wikimedia Commons
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  • Estudo internacional, publicado em maio na revista PNAS, aponta dois mecanismos genéticos ligados à longevidade do tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus).
  • O genoma da espécie tem cerca de 6,5 bilhões de pares de bases e a montagem atual cobre 96,7% da sequência, a mais completa já produzida para esse animal.
  • Primeira pista: adaptações na histona H1.0, cuja substituição de aminoácido pode tornar o DNA mais estável e protegido ao longo de décadas.
  • Segunda pista: 59 cópias do gene FTH1b, associado à ferritina, sugerindo controle do ferro para reduzir danos oxidativos.
  • As hipóteses são preliminares e demandam experimentos adicionais em células vivas; ainda assim, abrem caminho para entender envelhecimento e possíveis aplicações médicas.

O tubarão-da-Groenlândia, conhecido por viver até cerca de 400 anos, ganha novas pistas sobre sua longevidade. Um estudo publicado na revista PNAS em maio aponta dois mecanismos genéticos inéditos ligados ao envelhecimento dessa espécie.

Pesquisadores do Japão, Noruega e Canadá reconstruíram o genoma do tubarão com 6,5 bilhões de pares de bases. A montagem atingiu 96,7% do genoma, tornando-se a mais completa já produzida para esse animal de águas frias do Atlântico Norte e do Ártico.

O estudo identificou dois caminhos que podem explicar a resistência ao envelhecimento. Um envolve a histona H1.0, proteína que compacta o DNA e mostrou adaptações que favorecem a estabilidade cromatínica ao longo do tempo.

Genoma e mecanismos de longevidade

A segunda pista relaciona-se à ferroptose, morte celular causada por excesso de ferro. O genoma contém 59 cópias do gene FTH1b, ligado à ferritina, que armazena ferro de forma segura nas células.

Essa densidade de FTH1b sugere controle mais preciso dos níveis de ferro, o que poderia reduzir danos oxidativos e favorecer a remoção de células comprometidas de forma eficiente.

Implicações e próximos passos

Os autores ressaltam que as hipóteses são preliminares e dependem de experimentos em células vivas para confirmação das funções. Ainda assim, o estudo representa avanço na compreensão de mecanismos que sustentam a longevidade extrema.

A pesquisa abre caminho para novas investigações sobre estabilidade genômica, resistência a tumores e processos celulares ligados ao envelhecimento, com possíveis aplicações futuras na medicina humana.

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