- Jovens de até 24 anos são a maioria entre quem consome alimentos associados ao câncer sem intenção de reduzir o hábito, conforme o levantamento Mais Dados Mais Saúde, divulgado em 3 de outubro.
- Entre esse grupo, 32,3% não pretendem diminuir ultraprocessados, 29,5% de embutidos, 24,4% de bebidas adoçadas e 49,1% de carne vermelha.
- Também há resistência ao consumo de bebidas alcoólicas: 16,9% dos jovens dizem não querer mudar o hábito, maior proporção entre as faixas etárias analisadas.
- Apenas 62,6% dos jovens reconhecem o álcool como fator de risco para o câncer, menor índice entre as faixas etárias; carne vermelha é reconhecida por 22,4% e ultraprocessados por 55,3%.
- A pesquisa ouviu 6.566 adultos com 18 anos ou mais, entre setembro e outubro de 2025, e foi realizada pela Umane e Vital Strategies com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do INCA.
Jovens de até 24 anos lideram o consumo de alimentos ligados ao risco de câncer, sem intenção de reduzir o hábito, aponta a pesquisa Mais Dados Mais Saúde, divulgada nesta quarta-feira (3). Ultraprocessados, embutidos, bebidas adoçadas e carne vermelha aparecem entre os itens mais consumidos.
Ao todo, 32,3% dos jovens não pretendem diminuir o consumo de ultraprocessados, 29,5% não pretendem reduzir embutidos e 24,4% não pretendem cortar bebidas adoçadas. O percentual chega a 49,1% para carne vermelha entre esse grupo etário.
A sondagem também mostra resistência ao consumo de bebidas alcoólicas: 16,9% dos jovens afirmam não ter a intenção de mudar o hábito. Entre pessoas de 25 a 59 anos, esse índice é de 8,7%, e entre quem tem mais de 60, chega a 7,1%.
O estudo revela ainda baixa percepção de risco entre jovens: apenas 62,6% reconhecem o álcool como fator de risco para o câncer, o menor índice entre faixas etárias. Carne vermelha é citada por 22,4% e ultraprocessados por 55,3%.
Segundo Luciana Moreira, do INCA, hábitos alimentares e bebidas vão além de escolhas individuais e refletem o ambiente de consumo. Ela aponta que produtos são amplamente divulgados, baratos e de fácil acesso, com forte influência de marketing.
Outro ponto destacado é a influência do ambiente de consumo nas redes sociais, aplicativos de entrega e influenciadores. Moreira ressalta que a prática constante de expor jovens a esses estímulos facilita a normalização do consumo.
A pesquisadora também afirma que, apesar do avanço na conscientização sobre alimentação saudável, muitos não ligam o consumo de ultraprocessados ao excesso de peso e ao risco de câncer. O desafio é maior entre jovens, que tendem a ver o câncer como distante.
Luciana Sardinha, da Vital Strategies, enfatiza a necessidade de campanhas públicas para mudar esse comportamento. Ela sustenta que o câncer é prevenível por meio de alimentação saudável, com foco em frutas, legumes, verduras, cereais e feijões.
No levantamento, o tabagismo aparece como o fator de risco mais reconhecido: 90,5% dos entrevistados sabem que fumar pode causar câncer. Entre jovens até 24 anos, o conhecimento chega a 88,7%.
A carne vermelha surge como o menos reconhecido entre os fatores avaliados, com apenas 27,5% associando seu consumo ao maior risco de câncer. Níveis de consumo variam, com cerca de 45% relatando consumir sem reduzir, 40% que consomem e reduzem e 10% que não consomem.
Outros fatores bem reconhecidos incluem herança genética (89,4%) e exposição solar excessiva (88,3%). Entre os entrevistados, 71,3% associam bebidas alcoólicas ao câncer e 70,7% associam embutidos. Ultraprocessados são reconhecidos por 65,6%.
Estimativas de estilo de vida também aparecem: sobrepeso e obesidade são citados por 54,1% e o sedentarismo por 48,3% como fatores de risco. Bebidas adoçadas aparecem em 55,3% e baixa ingestão de frutas e verduras em 53,3%.
A pesquisa ouviu 6.566 adultos com 18 anos ou mais, em todos os estados, entre setembro e outubro de 2025. O estudo é realizado pela Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do INCA.
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