- Pesquisa da Unicamp com 7.259 inserções entre 2022 e 2024 aponta que 81% das mulheres relataram dor moderada a severa durante a inserção do DIU.
- O dado contrasta com o manual técnico de 2018 do Ministério da Saúde, que estima menos de 5% de dor, gerando questionamento sobre valores oficiais.
- A dor foi avaliada imediatamente após o procedimento em uma escala de zero a dez; 54% disseram sentir dor severa, 28% moderada, 15% leve e 3% não sentiram dor.
- O Mirena foi o DIU mais usado no estudo; o dispositivo utilizado no hospital escola chegou por doação e tem diâmetro maior do que o Mirena privado.
- Especialistas destacam que a dor depende do perfil da paciente, da técnica e do tipo de inserção; existem medidas paliativas, mas não uma solução definitiva para zerar o desconforto.
Durante a inserção do DIU, uma pesquisa da Unicamp aponta dor relatada por 81% das participantes, em comparação com menos de 5% estimados pelo Ministério da Saúde. O estudo analisou 7.259 inserções entre 2022 e 2024 no Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da universidade.
A pesquisa foi publicada em abril no International Journal of Gynecology and Obstetrics. A dor foi medida logo após o procedimento, pela própria paciente, em escala de zero a dez. Foram classificados como leve, moderada e severa.
Mais da metade das participantes demonstrou dor severa (54%), 28% moderada e 15% leve. Apenas 3% relataram não sentir dor durante a inserção do DIU.
O que a ciência afirma
Segundo Cássia Juliato, professora da Unicamp, o documento não cita a fonte das estimativas oficiais e não há estudo que comprove 5% de dor. A pesquisadora ressalta que 5% não condiz com a literatura mundial.
O DIU pode ser não hormonal (cobre) ou hormonal, com levonorgestrel. Os nomes Mirena e Kyleena são comuns no mercado. A eficácia do DIU é superior a 99% e a duração varia de cinco a dez anos.
Observações sobre o estudo
Quase 87% das inserções no estudo utilizaram Mirena, fornecido por doação. O inseror empregado tem diâmetro maior que o de modelos privados, o que pode influenciar o desconforto em casos difíceis.
O serviço da Unicamp é hospital escola, com médicos em formação. A experiencia do profissional pode impactar o tempo e o nível de dor durante o procedimento.
Fatores que afetam a dor
Mulheres sem parto vaginal prévio tendem a relatar mais dor. O Brasil tem alta taxa de cesárea, o que também influencia a experiência da inserção. Ana Luiza Savi, autora do estudo, destaca a necessidade de reconhecer a dor sem desestimular o uso do DIU.
O DIU é reconhecido pela eficácia e duração, porém a dor durante a inserção é comum. A literatura internacional indica que profissionais de saúde podem subestimar a dor relatada pela paciente.
Abordagens de manejo
A dor costuma ser imediata, com pico nas etapas de colocação do colo, medição da cavidade e inserção do dispositivo. Após o procedimento, cólica pode ser aliviada com anti-inflamatório. A sedação total para zerar a dor exigiria estrutura hospitalar mais complexa.
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