- O estudo NHS-Galleri testou o rastreio com sangue em mais de cento e quarenta e dois mil adultos no Reino Unido para verificar se reduz casos em estágio avançado; o resultado principal foi negativo.
- Mesmo assim, houve ganhos secundários: diagnósticos em estágio inicial subiram dezesseis por cento e diagnósticos em estágio quatro caíram catorze por cento.
- Ao longo de três anos, a redução de casos avançados aumentou de nove por cento no primeiro ano para vinte e dois por cento no segundo e vinte e seis por cento no terceiro.
- Dois ganhos: somado aos exames de rotina, o teste quadruplicou a detecção de cânceres por rastreamento e reduziu em cerca de vinte e cinco por cento os casos diagnosticados apenas em situações de emergência.
- Limites: resultado positivo não é diagnóstico (valor preditivo positivo de cinquenta e dois por cento); alta especificidade, mas sensibilidade menor para tumores iniciais; ainda não é recomendado para rastreamento populacional; nos EUA custa US$ 949.
O NHS-Galleri, maior estudo feito até hoje sobre um exame de sangue para rastrear mais de uma dezena de cânceres, foi realizado com mais de 142 mil pessoas no Reino Unido. A pergunta central era se o teste reduziria diagnósticos em estágio avançado; a resposta foi não. Ainda assim, o estudo revelou avanços relevantes sobre detecção precoce.
Os resultados apresentados na reunião anual da ASCO, em Chicago, mostram que diagnosticos em estágios iniciais aumentaram 16%, enquanto os casos em estágio 4 caíram 14%. A variação anual ficou mais clara ao longo de três anos de acompanhamento.
Saída prática do achado: o teste, quando aliado aos rastreamentos tradicionais, aumentou significativamente a detecção de cânceres que mamografias e colonoscopias sozinhas poderiam não flagrar. Também houve queda de diagnósticos emergenciais, em torno de 25%.
Para entender o paradoxo, especialistas destacam que o estudo não confirmou a hipóteseprimária, mas forneceu dados inéditos sobre o potencial da tecnologia. O desenho randomizado envolveu pessoas entre 50 e 77 anos, sem sinais de câncer, em dois grupos: apenas rastreamento convencional versus rastreamento com o exame de sangue anual por três anos.
Como funciona a demonstração no sangue, e o que isso significa
O exame usa biópsia líquida por meio de DNA metilado para detectar sinais de câncer em pessoas assintomáticas. O resultado é binário: positivo indica provável câncer e ajuda a estimar o órgão de origem com alta precisão. Em 92,5% dos casos confirmados, houve acerto.
Limites e cautelas
Apesar de alta especificidade (99,55%), o valor preditivo positivo fica próximo de metade (aproximadamente 52%), o que exige confirmação adicional por imagens ou biópsias. Além disso, o teste apresenta maior sensibilidade para tumores já mais avançados, desviando a busca de alguns casos precoces.
Máquinas e prática clínica
O resultado negativo não isenta a continuidade dos exames de rotina, e a orientação médica é essencial para definir passos seguintes. O uso populacional ainda não é recomendado, dado o tempo de acompanhamento e a necessidade de confirmar impactos em vida salva.
Mercado e realidade internacional
Nos Estados Unidos, o exame já é comercializado por médicos, com custo aproximado de 949 dólares, sem aprovação da FDA. No Brasil, o custo e a falta de comprovação para rastreamento de rotina impedem a incorporação formal ao sistema público de saúde.
Implicações futuras
Os pesquisadores veem o NHS-Galleri como um passo inicial para uma estratégia de rastreamento contínuo, que possa combinar exames de sangue com métodos tradicionais. A expectativa é de que, com mais estudos, seja possível ampliar a detecção precoce e, no longo prazo, reduzir ainda mais a mortalidade associada a vários tipos de câncer.
Impacto na prática clínica atual
Enquanto não há evidência suficiente para mudar diretrizes, a pesquisa reforça o papel dos rastreamentos tradicionais e sugere que um exame sanguíneo complementar pode, no futuro, ampliar a cobertura diagnóstica sem substituir os métodos existentes.
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