- O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras-raras, atrás da China, e precisa construir unidades de separação e refino para avançar na cadeia produtiva.
- O carbono precursor, o carbonato, é essencial: cada tonelada de ímã de alta potência demanda cerca de duas toneladas de carbonato. A produção brasileira atual é de cerca de vinte mil toneladas por ano, atendendo menos de seis por cento da demanda global estimada em cento e cinquenta mil toneladas anuais.
- Cerca de dez projetos de mineração de terras-raras estão em andamento no país; dois já estão em produção: Serra Verde, em Minaçu, Goiás, e ADL, em São Francisco de Itabapoana, Rio de Janeiro.
- O principal gargalo é ambiental e, ainda, a tecnologia de separação, devido à variação nas argilas iônicas brasileiras e aos contaminantes do minério, como óxidos de alumínio e ferro.
- A China mantém grande parte das informações técnicas, mas há potencial de cooperação com o Reino Unido, especialmente na fabricação de ímãs e no monitoramento ambiental da mineração; o Brasil já desenvolve competências com institutos nacionais e universidades em várias frentes.
O Brasil enfrenta gargalos para explorar terras-raras. Embora possua a segunda maior reserva mundial, atrás da China, o país ainda precisa desenvolver unidades de separação e refino, além de dominar a produção de ímãs permanentes de alta potência. O tema foi apresentado pelo professor Fernando Landgraf, da Poli-USP, em palestra na FAPESP Week Londres.
A avaliação aponta que o carbono análogo, o carbonato, é essencial para a obtenção dos 17 elementos. A demanda global por ímãs de alta potência pode chegar a 150 mil toneladas por ano, o que implicaria necessidade de cerca de 300 mil toneladas de carbonato. Hoje, a produção brasileira é estimada em 20 mil toneladas anuais, correspondendo a menos de 6% da demanda prevista.
Desempenho brasileiro: há cerca de 10 projetos de mineração de terras-raras em andamento, com dois já em produção: Serra Verde, em Minaçu (GO), e ADL, em São Francisco de Itabapoana (RJ).
Desafios ambientais e tecnológicos
O primeiro obstáculo destacado é ambiental. Parâmetros consolidados para monitorar e reduzir impactos químicos da mineração ainda não estão firmados, o que exige maior transparência das mineradoras. A prática atual envolve complexidade na gestão de resíduos e contaminação.
A separação dos elementos é o gargalo principal. Argilas iônicas com composições diversas dificultam a concentração de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. O processo depende de tecnologia de extração por solventes e da gestão de contaminantes, como óxidos de alumínio e ferro.
Outro entrave é a produção local de extratantes químicos usados no processo. A China atua com larga experiência, mas restringe o compartilhamento de informações técnicas, o que dificulta o aprendizado rápido. Cooperação com o Reino Unido pode avançar nos itens de ímãs e monitoramento ambiental.
Desenvolvimento de competências
O Brasil já possui bases científicas para avançar na cadeia de terras-raras. O INCT Patria, criado em 2014, reúne pesquisadores para desenvolver tecnologias de superímãs. Em seguida, o INCT Materia, coordenado pela UF Amazonas, envolve 15 instituições para aplicações na transição energética.
Pesquisas sobre separação são realizadas no Cetem, no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear e na Poli-USP. O IPT trabalha na obtenção de neodímio metálico e na liga ferro-neodímio-boro, base dos ímãs de alto desempenho. A etapa final foi estudada no Ipen e desenvolvida pela UFSC em parceria com a USP.
Um laboratório-fábrica de ímãs de terras-raras está em implantação no Senai, em Minas Gerais, com apoio da UFSC, prevendo dois anos para alcançar qualidade exigida pelo mercado.
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