- O chá está ganhando destaque na gastronomia brasileira, sendo usado em harmonizações com bebidas alcoólicas, coquetéis sem álcool e menus-degustação.
- Dois motivos principais sustentam o movimento: o potencial gastronômico do chá e a demanda de um público que busca opções sem álcool.
- O mercado indica mudança de comportamento: 64% dos brasileiros afirmaram não consumir álcool em 2025, com abstinência mais alta entre jovens de 18 a 24 anos (64%).
- Chefs e restaurantes vêm reintroduzindo o chá, com cartas exclusivas e harmonizações, como no Carlota, que passou a oferecer opções de chá desde março.
- Empresas e especialistas destacam o chá como ingrediente versátil, capaz de realçar paladar, e já exploram blends para acompanhar vinhos, espumantes e sobremesas, além de drinks sem álcool.
Na gastronomia brasileira, o chá atravessa fronteiras entre remédio, bebida e experiência de mesa. Restaurantes, bares e menus-degustação estão colocando a bebida no centro, ampliando seu papel além de usos terapêuticos tradicionais.
Dois motivos explicam esse movimento. Primeiro, a estratégia de mercado: o chá é visto como vasto repertório de plantas e sabores, capaz de harmonizar com cerveja, cachaça, vinhos e destilados variados. Chefs e sommeliers destacam o potencial gastronômico para além do conceito de remédio.
Segundo motivo, a demanda dos consumidores por opções sem álcool. Dados do CISA indicam que 64% dos brasileiros reduzem ou evitam o álcool em 2025, frente a 55% em 2023, com maior abstinência entre jovens. Restaurantes respondem com cartas de chás para menus-degustação e harmonizações.
Essa tendência ganha força com figuras da área. Carla Saueressig, coordenadora da Academia de Chá Mate, promove combinações audaciosas entre chá e bebidas como cerveja, cachaça e vinhos, além de planejar novos desdobramentos com uísque. Ela viaja pelo país buscando inovações.
Entretanto, há apoio de especialistas na própria prática. Juliana Zannini, reconhecida como Melhor Tea Blender do Brasil em 2023, aponta que o chá facilita encontros entre sabor e saúde, com técnicas de plantio e produção mais aperfeiçoadas. A ideia é ampliar a experiência sensorial.
Empresas do setor também investem em blends para ocasiões específicas. A Infusiva lançou chás voltados a acompanhar vinhos brancos, rosés e espumantes, fruto de um processo criativo iniciado durante a pandemia, quando a família explorou brindes compartilhados com chá na taça.
Os serviços de alimentação incorporam o chá de várias formas. Além das harmonizações alcoólicas, cresce a oferta de mocktails, em que chás atuam como protagonistas, agregando sabor e componentes funcionais. Profissionais do ramo ressaltam a versatilidade da bebida.
Nas casas, o chá também aparece em menus-degustação, elevando o status da bebida na experiência gastronômica. Restaurateurs relatam que o público busca opções que combinem sabor e sensação de celebração, sem abrir mão da sofisticação.
Especialistas destacam ainda o respeito às particularidades de cada chá. Técnicas de infusão, temperaturas e tempos de preparo influenciam a textura e o sabor dos drinques, preservando as características da erva sem amargar ou perder nuance.
Com esse cenário, o chá aparece como componente central na culinária brasileira contemporânea: além de oferecer alternativa para quem não consome álcool, ele amplia campos de harmonização e enriquece a experiência de quem busca novidades na mesa.
Entre na conversa da comunidade