- Museu do Ipiranga vai usar tecnologia de escaneamento a laser 3D, já usada no Coliseu de Roma, para monitorar e conservar o edifício após restauração.
- O projeto é liderado pela professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP, em parceria com o laboratório Diaprem, da Universidade de Ferrara.
- A ideia é escanear o museu por dentro e por fora, criar um modelo digital HBIM (Historic Building Information Modelling) e estabelecer um sistema de gestão da informação para manutenção preventiva.
- A atuação visa disponibilizar dados comparáveis entre fases da obra, garantindo precisão e consistência no monitoramento do estado da edificação.
- A iniciativa faz parte de uma linha de conservação preventiva da FAU-USP e busca antecipar problemas para evitar intervenções mais invasivas e caras.
O Museu do Ipiranga vai aplicar a mesma tecnologia de escaneamento a laser 3D utilizada no Coliseu de Roma para monitorar e preservar o edifício histórico. A iniciativa foi apresentada pela professora Beatriz Kuhl, da FAU-USP, durante a Fapesp Week Londres, realizada entre 2 e 4 de junho.
O projeto prevê o escaneamento completo do museu, interno e externo, para analisar o comportamento do prédio após restaurações recentes. O objetivo é criar um modelo HBIM, que integra dados sobre as características físicas, sistemas e elementos da edificação em um ambiente digital.
A execução técnica ficará a cargo do laboratório Diaprem, da Universidade de Ferrara, Itália. A parceria envolve pesquisadores da FAU e do CPC-USP, já com histórico de colaboração no registro do estado do monumento após as obras. A mesma equipe já havia digitalizado o edifício da FAU projetado por Vilanova Artigas.
A continuidade dessa parceria busca garantir dados comparáveis por meio da mesma metodologia e referências. Segundo Beatriz Kuhl, o planejamento rigoroso reduz imprecisões e aumenta a precisão dos resultados, que devem embasar ações de conservação preventiva no Museu do Ipiranga.
Conservação preventiva
A ação se insere em uma linha de pesquisa da FAU-USP voltada à conservação preventiva, com o objetivo de antever problemas e evitar intervenções invasivas e caras. Projetos anteriores, financiados pela Fundação Getty, já influenciaram obras pontuais de impermeabilização e acessibilidade no prédio.
Kuhl ressalta ainda o desafio de transformar a cultura de manutenção do patrimônio público, destacando que o uso de dados de monitoramento contínuo pode orientar intervenções menos invasivas. A experiência brasileira pode se beneficiar de referências internacionais, como políticas de conservação sistemática em museus nacionais.
Entre na conversa da comunidade