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Comer em excesso não é compulsão; entenda o que define o quadro

Especialistas explicam a diferença entre comer transtornado e transtornos alimentares, e apontam sinais de alerta para buscar ajuda profissional

Na compulsão alimentar, é comum a pessoa comer descontroladamente como forma de lidar com emoções difíceis.
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  • Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 4,7% da população brasileira convive com algum transtorno alimentar, incluindo bulimia, anorexia e transtorno de compulsão alimentar.
  • Comer transtornado difere de transtornos alimentares clínicos: envolve regras rígidas e controle excessivo, sem atender a critérios diagnósticos formais.
  • Compulsão alimentar é caracterizada por ingestão de grande quantidade de comida com perda de controle, ocorrendo pelo menos uma vez por semana, por três meses, acompanhada de sintomas como comer rápido e sentir culpa ou vergonha após o episódio.
  • Fatores emocionais e o que é chamado de “food noise” (pensamentos persistentes sobre comida) costumam acompanhar o quadro; dietas restritivas podem ampliar o risco de exageros e perda de controle.
  • Sinais de busca de ajuda incluem perda de controle frequente, episódios repetidos de alimentação excessiva e impacto negativo na vida; o tratamento é multiprofissional, com psicólogos, psiquiatras e nutricionistas.

Cerca de 4,7% da população brasileira convive com algum transtorno alimentar, segundo dados da OMS. O tema envolve bulimia, anorexia e transtorno de compulsão alimentar, ainda cercado por desinformação e confundido com episódios isolados de exageros à mesa.

Especialistas destacam que comer transtornado não equivale a transtorno alimentar diagnosticável. O diagnóstico utiliza critérios internacionais e depende da frequência, intensidade dos episódios e impacto na vida da pessoa, devendo ser avaliado por um psiquiatra.

Sophie Deram, nutricionista da USP, explica que comer transtornado abrange comportamentos disfuncionais relacionados à alimentação, peso e imagem corporal que não cumprem critérios clínicos. São atitudes com regras rígidas e controle excessivo, ainda que gerem sofrimento.

A compulsão alimentar, por sua vez, envolve ingestão de grande quantidade de alimento em até duas horas, com sensação de perda de controle. O transtorno é considerado quando isso ocorre pelo menos uma vez por semana, por três meses, acompanhado de outros comportamentos típicos.

Tatiana Serra, neuropsicóloga, aponta que o descontrole é o principal elemento distintivo entre a compulsão e exageros ocasionais. Em episódios, a pessoa usa comida para lidar com emoções difíceis, com sofrimento subsequente.

Outro aspecto observado é o chamado food noise, pensamento persistente sobre comida que ocupa boa parte do tempo. Em compulsão, esses pensamentos costumam acompanhar episódios de perda de controle e sofrimento emocional.

Dietas excessivamente restritivas podem favorecer o agravamento em pessoas com predisposição genética. Sophie alerta que a obsessão pela “alimentação perfeita” aumenta comportamentos disfuncionais e sofrimento associado à alimentação.

Entre os sinais de alerta para buscar ajuda estão perda de controle frequente ao comer, episódios repetidos de alimentação excessiva e alimentação em segredo. A relação com emoções como ansiedade e tristeza também é relevante.

O tratamento costuma ser multiprofissional, envolvendo psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. O objetivo é reconstruir relação saudável com a comida e com o corpo, com foco em hábitos duradouros e manejo de gatilhos emocionais.

Especialistas enfatizam que reconhecer a necessidade de ajuda nem sempre é simples, ocorrendo após anos de sintomas. Em qualquer caso, a intervenção profissional é indicada quando há impacto na qualidade de vida, relacionamentos ou saúde mental.

Leia também: sinais dos transtornos alimentares e estudo sobre obsessão por dieta saudável. Todos os dados citados provêm de fontes médicas e institucionais associadas à área da saúde.

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