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Terapia CAR-T para câncer deve chegar ao SUS em um ano, diz Padilha

Terapia CAR-T, 100% nacional, deve chegar ao SUS em cerca de um ano; custo cerca de um quinto da versão comercial e pode ampliar tratamento a lupus e outras doenças

Alexandre Padilha durante entrevista coletiva
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  • A terapia CAR-T, 100% nacional, trata linfomas e leucemia com efeitos rápidos e custa cerca de R$ 500 mil, um quinto do valor da versão comercial, estimada em R$ 2,5 milhões por paciente.
  • O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o tratamento deve chegar ao SUS em cerca de um ano.
  • O projeto é conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, em parceria com o Instituto Butantan, USP Ribeirão e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
  • Na fase atual, 81 pacientes devem integrar a etapa clínica final, com recrutamento em curso e monitoramento pela Anvisa por um ano para segurança e eficácia.
  • Pesquisadores apontam potencial da CAR-T para outras proteínas, com perspectivas de uso futuro em doenças autoimunes como lúpus e miastenia gravis, além de aplicações para outros tipos de câncer.

A terapia CAR-T desenvolvida no Brasil pode chegar ao SUS em cerca de um ano. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante visita ao Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado à FMRP-USP. A tecnologia é 100% nacional e tem como alvo linfomas e leucemias, com custos estimados em cerca de um quinto da opção comercial equivalente.

O projetoCAR-T Cell envolve 20 pacientes em fase de testes na instituição, parte de uma parceria entre governo federal, Estado de São Paulo, USP Ribeirão, Butantan e Fapesp. Dados iniciais indicam resposta positiva em pacientes que já tinham passado por quimioterapia, radioterapia ou transplante, com resultados promissores desde o primeiro mês.

Padilha informou que a fase clínica final da pesquisa deve começar em breve, com 81 pacientes e duração prevista de aproximadamente um ano. O Ministério da Saúde investiu cerca de 100 milhões de reais nos anos iniciais, com apoio da Anvisa para monitoramento de segurança e eficácia ao longo do estudo.

Segundo o pesquisador Diego Villa Clé, a técnica poderá se expandir para outros cânceres e, futuramente, para doenças autoimunes. Estudos em andamento preveem uso para Lupus Eritematoso Sistêmico e, em seguida, Miastenia Gravis. A expectativa é que, ao final do acompanhamento, haja evidências suficientes para o registro do produto.

A tecnologia utiliza células T do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer o câncer. O tratamento é administrado por infusão rápida, com menor desgaste em comparação a terapias tradicionais, e requer monitoramento contínuo ao longo de anos para comprovar a durabilidade da resposta.

O custo estimado no SUS, com o uso da versão nacional, fica em torno de R$ 500 mil por paciente, consideravelmente menor que a alternativa comercial, apontada em cerca de R$ 2,5 milhões. O estudo também destaca potencial para reduzir custos hospitalares com tratamentos de leucemia e linfoma no âmbito público.

Durante a visita, Padilha ressaltou o papel da ciência para a retenção de pesquisadores no Brasil, citando o risco de deslocamento de talentos para o exterior sem investimentos. O ministro participou ainda de atividades em Ribeirão Preto, incluindo a entrega de veículos e equipamentos do programa Agora Tem Especialistas.

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