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Café mais resistente ao clima amplia cultivo além de Arábica e Robusta

Com Arabica e Robusta sob pressão climática, pesquisadores testam espécies como Excelsa, Stenophylla e Liberica para ampliar resistência e rentabilidade

Excelsa coffee fruits harvested at Kerehaklu Estate in Chikkamagalaru district, where Excelsa and Liberica coffee have been grown since 1953. Image courtesy of Pranoy Thipaiah.
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  • Pesquisadores e produtores buscam espécies de café que resistam melhor ao clima, além de Arabica e Robusta, diante de altas temperaturas, mudanças de chuva e pragas.
  • Excelsa, antes marginalizada, ganha atenção. Akshay Dashrath e a South India Coffee Company conduzem testes com árvores de Excelsa de cinquenta a sessenta anos na fazenda em Kodagu, com parceria com os Jardins Botânicos Reais de Kew.
  • O cultivo de Excelsa já avança em Uganda e Vietnã, com agricultores relatando maior produtividade, resistência e lucratividade em relação à Robusta.
  • Além da Excelsa, espécies como Stenophylla e Liberica são estudadas por oferecer sabor semelhante ao Arabica com maior tolerância ao calor e condições diversas.
  • Pesquisas identificam um híbrido entre Liberica e Excelsa, denominado Libex, que pode resistir melhor ao calor, à umidade e a doenças, contribuindo para a diversificação do plantio.

Várias espécies de café além de Arabica e Robusta passam a ganhar atenção em busca de maior resistência climática. Temperaturas mais altas, mudanças na chuva e maior pressão de pragas reduzem safras e qualidade, impulsionando estudos com Excelsa e outras espécies.

A ideia é avaliar opções menos exploradas para manter produção estável no futuro, com foco em regiões onde o cultivo é tradicionalmente desvantajoso sob clima adverso. Pesquisadores e produtores sondam o potencial de novas variedades.

Akshay Dashrath, cofundador da South India Coffee Company, lidera iniciativas para reavaliar o Excelsa como cultivo comercial. A espécie foi introduzida na Índia no fim do século XIX como alternativa, mas tornou-se pouco prática de manejar.

Na fazenda da família em Kodagu, Karnataka, Dashrath preserva árvores de Excelsa com mais de 60 anos, hoje usadas em testes de escala de produção. A parceria com o Royal Botanic Gardens, Kew, sustenta a pesquisa.

Segundo Aaron Davis, líder sênior de pesquisa dos Kew, a dominância de Arabica e Robusta pode enfrentar rupturas futuras diante de espécies mais adaptadas ao clima. Dados de campo já sinalizam ganhos potenciais com Excelsa.

Uganda e Vietnã já ampliam a produção de Excelsa, com relatos de agricultores que cultivam a espécie há décadas e apontam maior produtividade, resiliência e lucratividade em comparação à Robusta.

Davis afirma que o sabor suave do Excelsa pode torná-lo comum no varejo em até uma década, abrindo espaço para novas referências de mercado. A expectativa é de aceitação gradual entre consumidores e cadeias de distribuição.

Outras espécies em estudo incluem Stenophylla, com sabor semelhante ao Arabica e maior tolerância ao calor, e Liberica, que se adapta a ambientes desde áreas úmidas até regiões mais secas. Essas opções também são avaliadas.

Em Karnataka, o gerente de uma fazenda de café ressalta que Excelsa e Liberica apresentam ciclos de cultivo mais longos, o que permite colheitas em março e abril, quando as chuvas atípicas costumam comprometer Arabica.

Pesquisas do Kew identificaram ainda um híbrido entre Liberica e Excelsa, batizado de Libex, que poderia combinar resistência ao calor e à umidade com menor incidência de doenças. A ideia é acelerar a transição para climas desafiantes.

À frente do movimento, especialistas destacam que a adoção ampla depende de pesquisas direcionadas, apoio governamental e aceitação do consumidor. O caminho envolve financiamento, infraestrutura de processamento e certificações.

O objetivo é mapear o conjunto de espécies candidatas, testar adaptabilidade em diferentes regiões e criar um portfólio de opções que reduza riscos para o setor. A evolução depende de parcerias entre ciência, produção e mercado.

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