- Pesquisadores e produtores buscam espécies de café que resistam melhor ao clima, além de Arabica e Robusta, diante de altas temperaturas, mudanças de chuva e pragas.
- Excelsa, antes marginalizada, ganha atenção. Akshay Dashrath e a South India Coffee Company conduzem testes com árvores de Excelsa de cinquenta a sessenta anos na fazenda em Kodagu, com parceria com os Jardins Botânicos Reais de Kew.
- O cultivo de Excelsa já avança em Uganda e Vietnã, com agricultores relatando maior produtividade, resistência e lucratividade em relação à Robusta.
- Além da Excelsa, espécies como Stenophylla e Liberica são estudadas por oferecer sabor semelhante ao Arabica com maior tolerância ao calor e condições diversas.
- Pesquisas identificam um híbrido entre Liberica e Excelsa, denominado Libex, que pode resistir melhor ao calor, à umidade e a doenças, contribuindo para a diversificação do plantio.
Várias espécies de café além de Arabica e Robusta passam a ganhar atenção em busca de maior resistência climática. Temperaturas mais altas, mudanças na chuva e maior pressão de pragas reduzem safras e qualidade, impulsionando estudos com Excelsa e outras espécies.
A ideia é avaliar opções menos exploradas para manter produção estável no futuro, com foco em regiões onde o cultivo é tradicionalmente desvantajoso sob clima adverso. Pesquisadores e produtores sondam o potencial de novas variedades.
Akshay Dashrath, cofundador da South India Coffee Company, lidera iniciativas para reavaliar o Excelsa como cultivo comercial. A espécie foi introduzida na Índia no fim do século XIX como alternativa, mas tornou-se pouco prática de manejar.
Na fazenda da família em Kodagu, Karnataka, Dashrath preserva árvores de Excelsa com mais de 60 anos, hoje usadas em testes de escala de produção. A parceria com o Royal Botanic Gardens, Kew, sustenta a pesquisa.
Segundo Aaron Davis, líder sênior de pesquisa dos Kew, a dominância de Arabica e Robusta pode enfrentar rupturas futuras diante de espécies mais adaptadas ao clima. Dados de campo já sinalizam ganhos potenciais com Excelsa.
Uganda e Vietnã já ampliam a produção de Excelsa, com relatos de agricultores que cultivam a espécie há décadas e apontam maior produtividade, resiliência e lucratividade em comparação à Robusta.
Davis afirma que o sabor suave do Excelsa pode torná-lo comum no varejo em até uma década, abrindo espaço para novas referências de mercado. A expectativa é de aceitação gradual entre consumidores e cadeias de distribuição.
Outras espécies em estudo incluem Stenophylla, com sabor semelhante ao Arabica e maior tolerância ao calor, e Liberica, que se adapta a ambientes desde áreas úmidas até regiões mais secas. Essas opções também são avaliadas.
Em Karnataka, o gerente de uma fazenda de café ressalta que Excelsa e Liberica apresentam ciclos de cultivo mais longos, o que permite colheitas em março e abril, quando as chuvas atípicas costumam comprometer Arabica.
Pesquisas do Kew identificaram ainda um híbrido entre Liberica e Excelsa, batizado de Libex, que poderia combinar resistência ao calor e à umidade com menor incidência de doenças. A ideia é acelerar a transição para climas desafiantes.
À frente do movimento, especialistas destacam que a adoção ampla depende de pesquisas direcionadas, apoio governamental e aceitação do consumidor. O caminho envolve financiamento, infraestrutura de processamento e certificações.
O objetivo é mapear o conjunto de espécies candidatas, testar adaptabilidade em diferentes regiões e criar um portfólio de opções que reduza riscos para o setor. A evolução depende de parcerias entre ciência, produção e mercado.
Entre na conversa da comunidade