- Um fóssil encontrado em Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, levou à descrição de uma nova espécie de réptil, batizada como Silescelida acristata.
- A espécie viveu há aproximadamente 240 milhões de anos, período anterior aos dinossauros, segundo estudo publicado na Scientific Reports.
- Parte do material foi perdida por cerca de 20 anos e só foi localizada em 2022, durante visita técnica à coleção da PUCRS.
- A pesquisa indica que Silescelida acristata é um arcossauriforme, provavelmente próximo aos Euparkeriidae, e representa o primeiro registro desse grupo na América do Sul.
- O fóssil está no acervo científico da PUCRS, e o animal tinha porte similar a um pequeno jacaré, com membros semi‑erguidos que favoreciam a locomoção.
Fóssil de espécie anterior aos dinossauros é encontrado no Rio Grande do Sul, Brasil. O achado, chamado Silescelida acristata, indica que o animal viveu por volta de 240 milhões de anos atrás, no Triássico. O material foi descoberto em Dona Francisca, na região central do estado.
O fóssil permaneceu perdido por cerca de 20 anos. Parte essencial do material sumiu, atrasando a identificação. Em 2022, durante visita técnica à coleção da PUCRS, o fragmento foi localizado novamente, viabilizando a descrição formal.
A pesquisa envolveu o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, da UFSM, e foi publicada na Scientific Reports nesta quarta-feira. A região do Geoparque Quarta Colônia UNESCO já forneceu vestígios de dinossauros antigos.
Descoberta e contexto
O registro indica que o fóssil pertence ao grupo dos arcossauriformes, répteis com traços próximos de dinossauros e crocodilos. A análise de parentesco aponta possível relação com os Euparkeriidae, grupo ainda pouco conhecido.
Este é o primeiro vestígio dessa linhagem na América do Sul. Os pesquisadores destacam que a descoberta amplia a compreensão sobre a distribuição geográfica desses animais ancestrais.
Silescelida acristata tinha porte semelhante ao de um pequeno jacaré, com corpo esguio e locomoção quadrúpede. A dieta provável incluía animais de menor porte, e a posição dos membros sugere locomoção eficiente para a época.
Detalhes da pesquisa
O estudo ressalta que o fóssil combina características que ajudam a entender a evolução dos arcossauros. O fêmur não apresenta crista elevada, condição que influenciou a denominação acristata.
O material encontra-se sob custódia da PUCRS, em Porto Alegre, integrando o acervo científico da instituição. O trabalho é assinado por paleontólogos da UFSM, incluindo o autor principal Maurício S. Garcia, doutorando em Biodiversidade Animal.
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