- Estudo publicado pela revista Science afirma que solos do planeta contêm 100 quatrilhões de quilômetros de redes de fungos subterrâneos e que a extensão poderia ir da Terra ao Sol e voltar quase um bilhão de vezes.
- Essas redes são micorrízico arbusculares, que formam parcerias com a maioria das plantas, ajudando na absorção de nitrogênio e fósforo; mais de setenta por cento das plantas dependem dessas relações.
- Pela primeira vez, pesquisadores mapearam globalmente onde as redes fúngicas são mais densas.
- Um tipo de fungo micorrízico arbuscular pesa, coletivamente, 300 megatons, equivalente a quatro a seis vezes a massa de todos os seres humanos.
- A pesquisa aponta ameaças, especialmente na agricultura, que reduz a densidade dessas redes em cerca de 47,3 por cento em áreas cultivadas, sugerindo benefícios de práticas que protejam o solo e reduzam fertilizantes, além de apoiar o armazenamento de carbono.
A maior rede de fungos do planeta foi revelada em um estudo publicado na Science. Os solos da Terra abrigam cerca de 100 quatrilhões de quilômetros de redes fúngicas subterrâneas, uma distância que seria suficiente para ir da Terra ao Sol e retornar quase um bilhão de vezes. O trabalho também apresentou, pela primeira vez, um mapa global apontando regiões com maior probabilidade de abrigar esses fungos.
Pesquisadores usaram modelos de aprendizado de máquina e milhares de amostras de solo para chegar a esses números. O estudo foca nos fungos micorrízicos arbusculares, cuja massa estimada em conjunto seria de cerca de 300 megatons, equivalente a quatro a seis vezes a massa de todos os humanos no planeta.
Mapa global e importância ecológica
O estudo mostra que as redes micorrízicas são vitais para a vida na Terra, pois ajudam plantas a absorver água e nutrientes, reduzindo, inclusive, a necessidade de fertilizantes. Mais de 70% das plantas formam parcerias com esses fungos, incluindo culturas alimentares como trigo, milho e arroz. A relação simbiótica envolve plantas fornecendo carbono aos fungos e estes, por sua vez, devolvendo nutrientes.
Agricultura e risco de interrupção
Os pesquisadores destacam uma ameaça relevante: a densidade das redes fúngicas é significativamente menor em áreas agrícolas. Em médias de campo, a rede é 47,3% menos densa do que em ecossistemas selvagens, o que pode comprometer a disponibilidade de nitrogênio, fósforo e outros nutrientes no solo.
Implicações para clima e manejo do solo
Especialistas ressaltam que preservar os fungos do solo pode aumentar a fertilidade de forma natural e reduzir o uso de insumos. Além disso, redes mais fortes ajudam a transferir carbono para camadas mais profundas do solo, contribuindo para o equilíbrio climático. Práticas como aração podem desfavorecer essas estruturas.
Perspectivas e próximos passos
Os pesquisadores planejam levar os dados a autoridades durante a próxima Conferência sobre Desertificação, na Mongólia, em agosto. O objetivo é orientar políticas públicas que protejam ecossistemas fúngicos e promovam manejo agrícola mais sustentável, com benefícios para plantas e meio ambiente.
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