- Crustáceos do gênero Bathynomus vivem a profundidades entre trezentos e novecentos metros e são do tamanho de uma lagosta.
- Estudo publicado na revista Cell, liderado por Jianbo Yuan, identificou um gene emprestado de bactéria presente no DNA dos animais, com duplicação no genoma.
- O gene atua em temperaturas baixas, reduzindo o consumo de energia celular e facilitando longos jejuns. Em peixes ornamentais, a inserção do gene elevou a tolerância à fome em cerca de quarenta por cento.
- Os Bathynomus são isópodes de gigantismo, com estômago que ocupa dois terços do corpo e digestão lenta.
- A transgenia natural é apontada como parte importante da capacidade de ficar sem se alimentar por anos, ainda que não explique sozinha o fenômeno.
O crustáceo Bathynomus, capaz de sobreviver até cinco anos sem comer, ganhou destaque em um estudo publicado na Cell. A equipe, liderada por Jianbo Yuan, identificou mecanismos genéticos que ajudam o invertebrado a manter o metabolismo durante longos jejuns. A pesquisa envolve cientistas do IOcas, Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências, na China.
Os animais, que vivem entre 300 m e 900 m de profundidade, chegam a comer de forma intensa quando há alimento disponível. O estômago ocupa dois terços do corpo, facilitando a digestão rápida de presas. A descoberta indica adaptação extrema a ambientes com escassez de alimento.
Genética e metabolismo
Os pesquisadores mostraram que o DNA de Bathynomus inclui um gene originário de bactérias em simbiose com o crustáceo. O gene foi duplicado e passou a atuar com maior ativação, ajudando a reduzir o consumo energético das células em temperaturas frias das profundezas.
Ao transferir o gene para peixes ornamentais de laboratório, houve aumento de quase 40% na tolerância à ausência de alimento. A experiência sugere que a transgenia natural contribui para o jejum prolongado, ao lado de fatores evolutivos.
Desdobramentos científicos
A pesquisa aponta que a fronteira entre DNA de espécies distintas pode ser mais flexível do que se pensava. A presença de genes emprestados de bactérias pode explicar parte da capacidade de armazenamento de energia em Bathynomus. A natureza do processo continua sob estudo.
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