- A pesquisa associa uso rápido e precoce de redes sociais por adolescentes ao maior interesse em experimentar álcool, tabaco e cannabis.
- A maioria das plataformas exige 13 anos; porém quase 40% dos adolescentes entre 8 e 12 anos já usa redes sociais.
- O estudo identificou quatro padrões de uso entre 9 e 16 anos; o grupo de uso precoce com aumento rápido teve maior probabilidade de experimentar substâncias.
- Jovens com uso intenso e precoce (≥3 horas/dia) tiveram quase 17 vezes mais chances de experimentar cannabis e 14 vezes mais de tabaco do que os que usam pouco ou nada.
- Conteúdo positivo sobre substâncias nas redes, incluindo anúncios de bebidas alcoólicas, pode influenciar atitudes e decisões dos adolescentes; especialistas recomendam planos familiares de uso das mídias e diálogo contínuo sobre conteúdo visto.
O uso de redes sociais em jovens pode estar associado ao início mais precoce de consumo de álcool, tabaco e cannabis. A conclusão vem de uma pesquisa publicada nesta semana no American Journal of Psychiatry. O estudo analisa a relação entre quando jovens começam a usar plataformas digitais e o risco de experimentar substâncias.
A pesquisa acompanhou adolescentes entre 9 e 16 anos ao longo de quatro anos, com base no Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente. Os pesquisadores criaram quatro grupos conforme o padrão de uso: nenhum, uso moderado com aumento, uso intermediário com aumento rápido e uso precoce com aumento rápido.
O grupo de uso precoce inclui quem começou a usar redes aos 9 anos; o intermediário, quem passou a usar por volta dos 11. Os resultados indicam maior probabilidade de experimentar álcool, tabaco e cannabis nesses grupos, sobretudo em quem usa as redes por mais tempo diariamente.
Conteúdo e publicidade nas redes
Especialistas destacam que a exposição a conteúdos positivos sobre substâncias aumenta a propensão a experimentar. O estudo aponta que mais de 50% dos adolescentes relataram marketing de bebidas alcoólicas online, com quase 61% compartilhando conteúdos relacionados a álcool.
A equipe de Nagata afirma que anúncios e postagens que retratam o uso de substâncias de forma positiva podem influenciar crenças sobre os efeitos dessas substâncias entre jovens. A maior parte do conteúdo estudado apresentava tom favorável ao consumo.
Quase 77% do material avaliado sobre substâncias nas redes sociais era positivo, segundo uma revisão de 73 estudos. Essa percepção pode contribuir para a percepção de normalidade do uso entre os adolescentes.
Implicações para famílias e políticas
Especialistas sugerem equilíbrio entre limites e orientação no uso de redes. A Academia Americana de Pediatria recomenda planos de mídia familiares e a aplicação dos chamados 5 Cs: cuidado adaptado, monitoramento, alternativas ao celular, tempo em família e comunicação precoce.
Pais são orientados a modelar comportamentos desejados e a dialogar sobre o conteúdo acessado pelos filhos. Medidas proativas, conforme aponta o estudo, podem reduzir efeitos negativos e favorecer atividades de qualidade fora das telas.
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