- No Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, a ONU alerta que campos naturais e savanas ocupam metade da superfície terrestre e sustentam cerca de dois bilhões de pessoas.
- Até metade dessas áreas está degradada ou em risco, com rápidas transformações em algumas regiões; no Brasil, cerca de 13% do território é suscetível à desertificação, afetando milhões.
- O tema da campanha de 2026 é reconhecer, respeitar e restaurar rangelands, incluindo campos naturais, savanas e áreas abertas; no Brasil, esses ecossistemas estão principalmente no Cerrado, no Pampa e em partes da Caatinga.
- Há sinais de impactos na água: Pantanal ficou 56% abaixo da média histórica; MapBiomas aponta tendência de redução de áreas alagadas no Brasil nas últimas quatro décadas.
- A restauração desses ecossistemas traz benefícios econômicos e ambientais, com estimativa de até 35 dólares de retorno para cada dólar investido, além de valorizar povos indígenas e comunidades tradicionais.
No Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, em 17 de junho, a ONU alertou para a degradação acelerada de campos naturais, savanas e outras paisagens abertas que cobrem metade da superfície terrestre. O foco é entender por que esses ecossistemas, que sustentam cerca de dois bilhões de pessoas, vêm perdendo produtividade e serviços essenciais.
Apesar da sua dimensão, esses ambientes são pouco valorizados. A UNCCD aponta que até metade dessas áreas já está degradada ou em risco, com impactos na produção de alimentos, na disponibilidade de água e nos meios de subsistência de comunidades rurais. A campanha de 2026 traz o tema Reconhecer, respeitar e restaurar.
No Brasil, o problema se evidencia no semiárido nordestino, onde cerca de 13% do território está suscetível à desertificação. A região da Caatinga enfrenta secas mais intensas associadas à degradação do solo, afetando milhões de pessoas. A discussão amplia o foco para os rangelands, que incluem campos naturais, savanas e áreas abertas, presentes no Cerrado, Pampa e Caatinga.
Dados globais e Brasil
A campanha destaca o papel de ecossistemas de campo na regulação de ciclos hidrológicos e no armazenamento de carbono no solo. Estudos da UNCCD indicam benefícios econômicos: cada dólar investido na restauração pode gerar até 35 dólares em ganhos com produtividade, água e carbono. A gestão dessas áreas auxilia comunidades tradicionais e pastores.
A situação hídrica mostra avanços e déficits regionais. Dados do MapBiomas indicam que a Amazônia recuperou parte de áreas alagadas em 2025, após secas extremas, mas o Brasil apresenta tendência de redução de ambientes úmidos nas últimas quatro décadas. O Pantanal manteve volumes de água 56% abaixo da média histórica.
Perspectivas e eventos internacionais
O Quênia sediará a COP17 da Convenção em agosto, com expectativa de avanços em compromissos de restauração de terras degradadas. A ONU ressalta que povos indígenas e comunidades tradicionais são fundamentais para manter a produtividade e a capacidade de regeneração dessas paisagens.
A mensagem é clara: proteger e restaurar campos naturais, savanas e demais áreas abertas é crucial para a segurança alimentar, a biodiversidade e a resiliência climática. A atuação conjunta entre governos, comunidades locais e sociedade civil é apontada como caminho para reduzir vulnerabilidades urbanas e rurais.
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