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Dieta e treino devem acompanhar o ciclo menstrual, dizem estudos

Ciência não comprova benefício universal da sincronização do ciclo menstrual em dieta e treino; resultados variam e orientação enfatiza a individualidade

Enquanto influenciadoras defendem a adaptação da rotina ao ciclo menstrual, especialistas analisam se a prática realmente tem base científica
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  • Debate entre influenciadoras e ciência sobre alinhar dieta e treino ao ciclo menstrual, conhecido como sincronização do ciclo.
  • O ciclo tem três fases — folicular, ovulação e lútea — com mudanças hormonais que afetam humor, fome e disposição.
  • Estudos não chegam a um consenso: orientações sobre alimentação e exercícios variam bastante entre quem defende o método.
  • Revisões mostram que treinar em dias específicos não aumenta rendimento nem reduz risco de lesões; alterações na imunidade ao longo do mês também não são comprovadas como efeito da prática.
  • Fatores psicológicos e bem‑estar influenciam a percepção de esforço; há pouca evidência de benefício único de cronograma rígido, e a especialista Emmalee Ford recomenda respeitar a individualidade de cada mulher.

O tema ganhou espaço no ambiente digital com a ideia de sincronizar dieta e treino ao ciclo menstrual. Influenciadoras defendem adaptar a rotina conforme cada fase hormonal, alegando redução de cólicas e cansaço. A prática ganhou notoriedade com o rótulo de ciclo menstrual como guia para escolhas diárias.

Pesquisadores questionam a robustez científica dessa abordagem. Emmalee Ford, especialista em Saúde Sexual e Reprodutiva da Universidade de Sydney, analisa o tema em artigo para o The Conversation, buscando indicar o que realmente a ciência sustenta sobre treinos e alimentação ao longo do mês.

O ciclo menstrual envolve fase folicular, ovulação e fase lútea, com flutuações hormonais que impactam humor, fome e disposição. A comparação entre diretrizes de defensores e dados científicos revela divergências expressivas, sem consenso definitivo até o momento.

O que a ciência diz sobre os treinos no ciclo menstrual

Defensores da sincronização afirmam que o calendário hormonal pode guiar escolhas de treino para melhorar desempenho. Contudo, revisões sistemáticas não mostram evidências consistentes de ganhos de performance ou menor risco de lesões ao treinar segundo o ciclo.

Estudos sobre dieta e fases do ciclo apresentam resultados variados. Orientações sobre carboidratos, proteínas e frutas mudam entre fontes, e não há consenso sobre qual combinação é ideal em cada etapa. A literatura aponta grande heterogeneidade entre pesquisas.

Não há consenso sobre efeitos imunológicos ao longo do mês influenciando a prática esportiva. Pesquisas não confirmam alterações significativas que justifiquem ajustes rígidos na rotina com base no ciclo menstrual.

Nutrição, motivação e lacunas da pesquisa

Ainda assim, o aspecto psicológico influencia a prática. Atletas relatam menor motivação no fim da fase lútea e maior dificuldade no início e término do fluxo, associadas a dores. Por outro lado, treino de força e técnicas de relaxamento ajudam no alívio de desconfortos.

No campo nutricional, dados de 2024 sugerem aumento da fome na fase lútea, devido ao gasto energético maior do corpo. No entanto, não há confirmação de que mudanças alimentares previnam inchaço ou fadiga de forma uniforme entre mulheres.

As lacunas teóricas persistem, e especialistas destacam a importância de reconhecer a individualidade. A recomendação de Ford enfatiza acolhimento e respeito às diferenças entre cada mulher, com foco em sinais do corpo e paciência para gerenciar sintomas.

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