- Mulheres que usam GLP‑1s como semaglutida (Ozempic/Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro) podem engravidar, mas não devem planejar a gravidez sem orientação médica.
- A bula recomenda suspender a semaglutida pelo menos dois meses antes de uma gravidez planejada; a tirzepatida pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais em alguns momentos do tratamento.
- Um estudo analisou 3.572 gestações com GLP‑1 antes da concepção e não encontrou aumento significativo de desfechos graves entre quem continuou no início da gravidez e quem interrompeu.
- Ao descobrir a gravidez, a gestante deve informar o médico que prescreveu o GLP‑1 e o obstetra, suspendendo o medicamento e buscando alternativas de manejo, especialmente para diabetes ou obesidade.
O uso de medicamentos GLP-1, como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), pode levar a dúvidas sobre gravidez. Um estudo recente analisou gestações de mulheres que estavam expostas a esses fármacos antes da concepção, buscando esclarecer riscos e condutas.
O estudo, publicado no Annals of Internal Medicine, acompanhou 3.572 gestações de usuárias de GLP-1, incluindo 1.467 com diabetes tipo 2. A comparação mostrou menor incidência de desfechos graves entre quem continuou o tratamento no início da gravidez e quem interrompeu após saber da gestação, sem diferença estatisticamente significativa.
Quem usa GLP-1 pode engravidar, mas não deve planejar uma gravidez sem orientação médica. As bulas indicam suspensão prévia à concepção, pois não há dados robustos de segurança na gestação. No caso da semaglutida, recomenda-se suspender pelo menos dois meses antes de tentar engravidar.
A tirzepatida, presente no Mounjaro, pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais em determinados momentos do tratamento, especialmente após ajuste de dose. Por isso, é essencial discutir com o médico a necessidade de método contraceptivo adicional ou alternativo não oral.
Se a gravidez for confirmada durante o uso de GLP-1, a orientação é comunicar o médico prescritor e o obstetra. A conduta típica envolve a suspensão do medicamento e a adoção de estratégias de controle metabólico adequadas à gestação, para reduzir riscos à mãe e ao bebê.
Em alguns casos, a depressão de peso promovida pelos GLP-1 pode favorecer a ovulação em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos, o que pode aumentar a chance de gravidez não planejada. Por isso, o planejamento pré-concepção é fundamental, desde exames até revisão de medicamentos.
A pesquisa ressalta que as evidências ainda são limitadas, especialmente para eventos raros. Ainda assim, oferece alívio ao reduzir a ansiedade sobre exposições acidentais no início da gravidez, mantendo a necessidade de cautela e acompanhamento médico.
Para quem busca fertilidade, é essencial discutir contracepção antes de iniciar qualquer tratamento com GLP-1. E, diante de uma gravidez não planejada ou inesperada, procurar atendimento médico sem atraso para ajustar o tratamento e monitorar a gestação.
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