- Aumento de temperatura pode provocar maior frequência de “whiplash hidroclimático” nos rios, com transições rápidas entre períodos secos e úmidos.
- O estudo, publicado na Earth’s Future na quarta-feira, simulou 698 bacias no Reino Unido sob cenários de aquecimento de 2C e 4C.
- Whiplash hidroclimático é definido como alternância mensal de vazões de rio de pouco para muito, ou vice-versa.
- Em ambos os cenários, há aumento generalizado dessas oscilações; em algumas bacias o número de eventos pode subir de cerca de quatro em trinta anos (1981-2010) para até nove sob 4C.
- Regiões com maiores elevações previstas são sul do País de Gales, Irlanda do Norte, norte e oeste da Inglaterra e partes do sudeste; as conclusão são que a gestão hídrica precisará considerar sequências de extremos, não apenas eventos isolados.
O aquecimento global pode intensificar o risco de “whiplash hidroc climático” em rios, com transições rápidas entre cheia e seca, segundo estudo publicado nesta quarta-feira. A pesquisa utiliza projeções climáticas e modelo hidrológico para 698 bacias no Reino Unido.
O trabalho mostra que, conforme a temperatura aumenta, enchentes rápidas após períodos secos e secas súbitas após chuvadas intensas devem se tornar mais comuns. O aquecimento atmosférico eleva a umidade e reforça eventos extremos de precipitação.
A pesquisa, liderada pela doutora Yi He, da Universidade de East Anglia, avaliou cenários de aquecimento de 2°C e 4°C. Em ambos, houve elevação na frequência de mudanças rápidas entre regimes úmidos e secos em grande parte do Reino Unido.
Metodologia e principais resultados
Os cientistas definem whiplash hidroc climático como transição mensal de fluxos de rio de patamares incomuns baixos para altos, ou o inverso. Os resultados indicam aumento generalizado desses eventos sob os cenários analisados.
Em alguns rios, o número de eventos pode subir de cerca de quatro em 1981-2010 para até nove em um cenário de 4°C. Regiões com maiores aumentos incluem sul do País de Gales, NORTE da Irlanda, norte e oeste da Inglaterra e partes do sudeste.
A equipe alerta que tais mudanças tornam a gestão hídrica mais complexa, pressionando defesas contra enchentes e estratégias de resposta a secas simultaneamente. É necessária adaptação regional e maior capacidade de armazenamento de água.
Os autores ressaltam que o estudo britânico serve como caso-teste para regiões temperadas de todo o mundo, ao indicar como o aquecimento pode alterar vazões, riscos de enchentes e de seca globalmente.
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