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Estudo sugere sinal precoce de depressão em crianças por percepção de expressões

Estudo sugere que viés de atenção a expressões faciais tristes em crianças com histórico familiar pode sinalizar depressão em estágio inicial

Uma pesquisa recente em psicologia do desenvolvimento indica que sinais iniciais de depressão podem aparecer na infância muito antes de qualquer diagnóstico formal – depositphotos.com / TarasMalyarevich
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  • Estudo em psicologia do desenvolvimento sugere sinais precoces de depressão em crianças, observando como percebem expressões faciais em laboratório.
  • Pesquisa acompanhou crianças com diferentes níveis de risco familiar e usando rastreamento ocular para mapear padrões de atenção a sorrisos e rostos tristes.
  • Crianças com maior risco genético tendem a fixar mais a atenção em expressões tristes, indicando possível viés de atenção para estímulos negativos.
  • Crianças de menor risco mostraram menor foco em sorrisos, sugerindo sensibilidade reduzida a recompensas sociais e ao afeto facial.
  • Resultados podem orientar estratégias de prevenção, incluindo avaliações de atenção a emoções e orientações para cuidadores, sem rotular as crianças como futuras pacientes.

O estudo, conduzido por equipes multidisciplinares de universidades internacionais, sugere que sinais precoces de depressão podem aparecer na infância. Sinais não se limitam a mudanças de humor, mas aparecem na forma como as crianças percebem expressões faciais, como sorrisos e rostos tristes, em laboratórios.

Ao observar para onde as crianças olham, por quanto tempo e em que sequência, pesquisadores buscam padrões de atenção que podem indicar maior probabilidade de desenvolver sintomas depressivos no futuro. Participaram crianças com diferentes níveis de risco familiar.

O estudo avaliou contexto familiar e histórico de depressão em pais e parentes próximos. Crianças em idade pré-escolar e escolar foram expostas a imagens de rostos com emoções variadas, principalmente sorriso e tristeza, com rastreamento ocular.

As informações foram cruzadas com questionários preenchidos por responsáveis e professores, sobre comportamento cotidiano como retraimento social ou desinteresse por atividades.

Entre os participantes de maior risco genético ou familiar, houve maior tendência a fixar o olhar em expressões tristes, sugerindo um viés de atenção para estímulos negativos. O grupo de menor risco apresentou padrões diferentes.

Essa diferença de atenção às expressões faciais negativas é associada, segundo a literatura, a um mecanismo similar ao observado em adultos com depressão, que tende a se concentrar em conteúdos negativos.

Também chamou atenção um terceiro grupo: crianças de menor risco que mostraram padrões atípicos de atenção a sorrisos, com menor foco em estímulos positivos, o que pode indicar sensibilidade reduzida a recompensas sociais.

Os pesquisadores destacam que fatores ambientais, além da herança genética, influenciam esses padrões. Clima familiar, apego, exposição a depressão em adultos próximos e eventos estressantes podem atuar junto com a predisposição biológica.

A pesquisa ressalta que observar a atenção a expressões emocionais não deve rotular as crianças, mas servir como ferramenta de monitoramento e cuidado. O contexto de vida precisa ser considerado pelos profissionais envolvidos.

No âmbito prático, o estudo aponta caminhos para prevenção em saúde mental infantil. Avaliações de atenção a expressões emocionais podem fazer parte de triagens para grupos de risco.

Entre as propostas, estão identificação precoce com testes de rastreamento ocular, intervenções para equilibrar o foco entre emoções positivas e negativas e orientação às famílias para ampliar ambientes estáveis.

Especialistas ressaltam a necessidade de acompanhamento longitudinal para entender como o viés de atenção evolui ao longo dos anos e se relaciona com quadros depressivos na adolescência.

Os autores enfatizam que os achados não servem para rotular crianças, mas para ampliar recursos de cuidado. A observação de sorrisos e rostos tristes deve ocorrer em conjunto com o contexto de vida de cada criança.

A divulgação busca aumentar a compreensão da depressão infantil como um fenômeno complexo, que começa em níveis sutis de percepção e reação às emoções. O objetivo é ampliar suporte preventivo.

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