- Pesquisadores da USP estudaram o fungo Aspergillus fumigatus e a coroa biomolecular que surge ao redor de vesículas extracelulares que ele libera, influenciando a resposta imune.
- A camada de proteínas presente em fluidos biológicos pode alterar a superfície e o comportamento dessas vesículas, mudando como o sistema imune as reconhece.
- Remover a coroa biomolecular reduziu a interação com macrófagos pulmonares e suavizou a resposta inflamatória; formar uma nova coroa com proteínas do soro aumentou a ativação imune.
- A presença da coroa elevou a produção de citocinas inflamatórias como IL-1β, TNF-α, IL-6 e IFN-γ, além de influenciar marcadores genéticos ligados ao reconhecimento do fungo.
- Os resultados sugerem caminhos para novas estratégias antifúngicas, como bloquear ou remodelar a coroa biomolecular para tornar o fungo mais visível às defesas do organismo.
Uma pesquisa da USP mostrou como proteínas presentes no corpo humano podem alterar a interação entre o fungo Aspergillus fumigatus e o sistema imune. O estudo foca nas vesículas extracelulares do fungo e na coroa biomolecular que se forma em torno delas.
Os pesquisadores analisaram vesículas liberadas pelo fungo em laboratório e observaram mudanças na superfície, quando expostas a fluidos biológicos. A coroa biomolecular funciona como uma nova identidade para as vesículas.
A equipe, liderada por Fausto Almeida e com Lucas Nogueira como principal autor, avaliou três condições: vesículas nativas, vesículas com parte da coroa removida e vesículas com nova coroa formada por soro biológico rico em proteínas.
Os experimentos incluíram caracterização física, química e imunológica. As vesículas foram expostas a macrófagos pulmonares de camundongos para medir ativação e produção de moléculas inflamatórias.
Resultados principais
A remoção da coroa reduziu a interação com macrófagos e a ativação imune. Já a formação de uma nova coroa elevou a resposta inflamatória, indicando que a coroa biomolecular modifica a comunicação entre fungo e hospedeiro.
Entre as citocinas, houve aumento de IL-1β, TNF-α, IL-6 e IFN-γ quando a coroa estava presente. Indícios de modulação também surgiram para IL-4 e IL-10, dependendo das condições.
Os autores destacam que a coroa biomolecular confere às vesículas uma identidade que influencia o reconhecimento do fungo e a intensidade da resposta imune. Esse mecanismo pode explicar parte da evasão imune observada em infecções fúngicas.
Perspectivas futuras
Os resultados abrem caminho para estratégias antifúngicas que bloqueiem ou modifiquem a coroa biomolecular, com o objetivo de tornar o fungo mais visível ao sistema imune. Pesquisas futuras deverão identificar os componentes proteicos da coroa e como inflamações ou tratamentos afetam essa camada.
O estudo reforça a importância do ambiente biológico do hospedeiro para a comunicação entre patógeno e defesa do organismo, conforme observações feitas pela equipe da FMRP. As análises foram publicadas na edição de maio do Journal of Extracellular Biology.
Mais informações podem ser encaminhadas ao pesquisador Lucas Nogueira, da USP.
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