- Uso indevido de antibióticos, incluindo uso sem indicação médica e em doses ou duração inadequadas, foi destacado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
- Antibióticos não funcionam contra vírus; muitos quadros respiratórios desta época do ano são virais e não requerem antibióticos.
- O uso inadequado pressiona as bactérias, eliminando as sensíveis e favorecendo as resistentes, o que contribui para as chamadas superbactérias.
- Estima-se que, em 2019, a resistência antimicrobiana bacteriana tenha contribuído para 4,95 milhões de mortes no mundo; a OMS aponta que uma a cada seis infecções bacterianas já é resistente a antibióticos.
- Em caso de sintomas respiratórios, recomenda-se evitar automedicação e procurar avaliação médica; medidas de suporte, como hidratação e repouso, costumam ser suficientes, e há necessidade de avaliação especial para grupos de risco.
Com a chegada do inverno, aumenta o número de infecções respiratórias e cresce entre a população o uso inadequado de antibióticos. A prática envolve indicações sem orientação médica, dosagens incorretas ou uso por tempo inadequado.
A Sociedade Brasileira de Infectologia divulgou, na última semana, um alerta sobre esse comportamento. A mensagem é clara: antibióticos devem ser usados apenas sob avaliação clínica e prescrição profissional.
Segundo o infectologista Klinger Faíco, muitos ainda acreditam que antibióticos aceleram a recuperação de qualquer infecção. A ideia persiste mesmo diante do fato de que vírus costumam ser a causa de boa parte dos quadros respiratórios nessa época.
O que está em jogo
Antibióticos atuam apenas contra bactérias. Quando usados de forma inadequada, criam pressão seletiva que elimina as bactérias sensíveis e favorece as resistentes, levando ao surgimento de superbactérias.
A resistência antimicrobiana vai além das vias respiratórias e pode comprometer cirurgias, transplantes, tratamentos oncológicos e cuidados intensivos. A OMS aponta que uma a cada seis infecções bacterianas já é resistente a antibióticos.
O panorama global aponta para um grave impacto. Estima-se que, em 2019, a RAM tenha contribuído com quase cinco milhões de mortes no mundo, segundo estudos publicados na literatura médica.
Como agir diante dos sintomas
Para sintomas respiratórios como tosse, coriza, dor de garganta e febre, a recomendação é evitar automedicação. Em muitos casos, hidratação, repouso e controle de sintomas são suficientes para a recuperação.
Quem apresenta falta de ar, febre alta, dor no peito ou piora progressiva deve buscar avaliação médica. Idosos, pessoas com doenças crônicas ou sistema imunológico comprometido precisam de acompanhamento profissional.
A mensagem da SBI reforça: nem toda infecção respiratória requer antibióticos e o tratamento adequado depende de uma avaliação médica individualizada.
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