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Orangotangos podem se automedicar com plantas medicinais, aponta estudo

Pesquisa com dois décadas de dados em Kalimantan indica que orangotangos escolhem combinações específicas de plantas medicinais, sugerindo automedicação não aleatória

Orangotango-de-bornéu (Pongo pygmaeus), marrom com rosto cinza, mordendo a casca de uma árvore com o tronco danificado, em meio à folhagem verde da floresta
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  • Estudo analisou padrões de alimentação de orangotangos-de Bornéu em Kalimantan entre 2003 e 2023 e encontrou combinações específicas de plantas medicinais em sequências não aleatórias.
  • Foram observados nove species principais, com Fibraurea tinctoria aparecendo em todas as combinações identificadas, sugerindo potencial uso terapêutico.
  • Fibraurea tinctoria (alonga analgésica, anti-inflamatória e diurética) e outras plantas como Alyxia, Willughbeia, Gnetum e Mezzettia parviflora destacaram-se nas escolhas alimentares associadas a propriedades medicinais.
  • Não há confirmação de que os animais se automedicam intencionalmente; pode haver transmissão de comportamento entre gerações ou impulso instintivo. A equipe ressalta que ainda não é possível afirmar diagnóstico consciente semelhante ao humano.
  • Pesquisadores combinaram dados de observações com conhecimentos etnomédicos dos Dayaks, consultando especialistas locais, para identificar as plantas com potencial terapêutico utilizadas pelos orangotangos.

Orangotangos de Bornéu podem estar escolhendo plantas medicinais para uso terapêutico, não apenas por alimentação. Um estudo analisa padrões de consumo de plantas com propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e antimaláricas entre esses primatas.

A pesquisa avaliou dois pilares: registros alimentares de orangotangos-de-bornéu no Parque Nacional de Sabangau, entre 2003 e 2023, e a relação dessas plantas com dados etnobotânicos locais. O objetivo é entender se há automedicação ou escolhas alimentares com função terapêutica.

Foram usados dados de mais de 12 mil registros de consumo de frutos, folhas, raízes, flores e seivas. A análise envolveu conhecimento tradicional de comunidades Dayak para identificar plantas com potencial medicinal.

Entre as espécies destacadas estão Fibraurea tinctoria, Alyxia, Willughbeia, Gnetum e Mezzettia parviflora. A Fibraurea tinctoria aparece em todas as combinações identificadas, possuindo propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e diuréticas, além de efeito antipirético.

Os pesquisadores indicam que as plantas medicinais não formam parte significativa da dieta geral dos orangotangos, sugerindo uso específico em situações terapêuticas. A possível transmissão de conhecimento entre gerações também é discutida no estudo.

Em observações anteriores do local, fêmeas já foram vistas mastigando folhas de Dracaena cantleyi e aplicando a mistura com saliva em áreas do corpo, o que indicaria alívio de dores associadas a músculos ou articulações. Essas evidências reforçam a linha de estudo sobre automedicação.

A equipe de pesquisa, liderada pela mestranda da University of Exeter, reuniu especialistas locais para validar o conjunto de plantas mais relevantes. Dois pesquisadores Dayak também contribuíram com mais de 200 espécies de plantas culturalmente significativas.

O estudo se baseia em dados de observação de longo prazo e reforça a necessidade de entender como o comportamento de consumo de plantas medicinais se estabelece em orangotangos. A pesquisa segue em análise para esclarecer mecanismos de aprendizado e finalidade do consumo.

Autoria e cooperação incluem a University of Exeter, com o apoio de especialistas locais e do parque Sabangau, cuja experiência em ecologia de primatas é reconhecida. Os resultados foram publicados no periódico Scientific Reports.

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