- Em Buritizeiro, Minas Gerais, foram identificados mais de 13 mil hectares de áreas agrícolas abandonadas entre 2018 e 2022, correspondendo a quase 5% da área agrícola do período.
- A metodologia combinou imagens do Sentinel-2 com uma Rede Neural Totalmente Conectada e atingiu precisão de 94,7%.
- Um dos desafios foi definir o que caracteriza abandono agrícola, distinguindo entre pousio temporário e segundas fases de renovação produtiva.
- Quinze por cento das áreas abandonadas estavam em antigas plantações de eucalipto voltadas à produção de carvão vegetal, influenciadas por queda de preços, custos logísticos e mão de obra.
- O estudo pode servir para orientar recuperação ambiental, planejamento territorial e políticas públicas, além de expandir a metodologia para mapear o Cerrado inteiro.
A população de terras agrícolas abandonadas no Cerrado ganhou visibilidade em um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Embrapa. O projeto utilizou inteligência artificial e imagens de satélite para mapear áreas que deixaram de produzir entre 2018 e 2022.
O município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, foi o ambiente de estudo. Foram identificados mais de 13 mil hectares de áreas agrícolas abandonadas, o que corresponde a cerca de 5% da área agrícola existente no período analisado. A pesquisa alcançou uma precisão de 94,7%.
Para o mapeamento, a equipe combinou imagens do satélite Sentinel-2 com uma rede neural de aprendizado profundo. O sistema foi treinado com amostras de campo, ajudando a diferenciar áreas produtivas de áreas sem uso.
Segundo o geólogo Edson Sano, um dos principais desafios foi definir o abandono agrícola de forma objetiva. Nem toda área sem cultivo está, de fato, abandonada, pois pode estar em pousio ou em processo de retomada da produção.
A tecnologia, apontam os pesquisadores, agiliza o monitoramento ambiental em grandes áreas, sem substituir a validação feita por especialistas. A validação de campo continua sendo parte essencial do estudo.
Resultados indicam que 87% das áreas abandonadas em Buritizeiro eram antigas plantações de eucalipto para carvão vegetal. A queda de preços do carvão entre 2018 e 2020, o aumento de custos logísticos e a escassez de mão de obra também são citados como fatores contributivos.
Ivo Augusto Lopes Magalhães, da Embrapa Cerrados, atribui a robustez dos resultados à integração de ferramentas tecnológicas com dados de campo. A combinação de IA, índices de vegetação e amostras em campo elevou a confiabilidade do mapeamento.
Buritizeiro foi escolhido por apresentar uma das maiores extensões de áreas abandonadas no Cerrado, funcionando como laboratório para a metodologia. A escolha facilita a avaliação de limites e aplicabilidade em outros municípios.
O estudo aponta ainda potencial para a recuperação ambiental e para a produção sustentável. Identificar terras ociosas pode orientar políticas públicas voltadas à restauração e ao uso responsável do território.
Entre as perspectivas, a equipe pretende ampliar a aplicação da metodologia para todo o Cerrado e oferecer subsídios para ações de conservação, restauração ecológica e desenvolvimento produtivo com impactos menores sobre o bioma.
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