- Duas queimadas atípicas ocorreram em Greenland em uma semana, nos dias 14, 15 e 17 de junho, perto de Sisimiut e Kujalleq.
- Capturas de satélite mostram os incêndios em áreas de tundra ice-free; esse tipo de fogo é raro no Ártico, especialmente no começo do verão.
- Especialistas dizem que condições estão muito secas e quentes, sem muita neve ou chuva recente, o que favorece a ignição e a propagação.
- Pesquisadores apontam que a cifra de carbono liberado por queimas em tundra pode ser maior por metro quadrado do que se observou em outros ecossistemas, com carbono antigo liberado.
- O aquecimento climático amplia a probabilidade de condições propícias a incêndios no Ártico, conforme estudos e avaliações de modelos globais de fogo.
Dois incêndios florestais atingiram a Groenlândia em uma semana, fogo próximo a Sisimiut, segunda maior cidade da ilha, em 14 e 15 de junho, segundo imagens de satélite. Um segundo foco ocorreu em Kujalleq, no extremo sul, em 17 de junho. As chamas surpreenderam pela ocorrência ainda no início do verão ártico.
Especialistas destacam a rareza de focos em áreas desprovidas de gelo, revestidas por tundra, e associam o aquecimento global ao aumento de eventos nesse tipo de bioma. O serviço Copernicus aponta temperaturas do ar acima do normal para a região, o que eleva a probabilidade de fogo mesmo com condições de ventos moderados.
Autores de pesquisas bem situadas na Groenlândia observam que a seca recente facilita a ignição e a propagação. Em Sisimiut, a falta de neve durante o inverno e a baixa precipitação, combinadas com solo muito seco, contribuíram para as chamas. Em Kujalleq, as autoridades também destacam um padrão de seca que persiste desde maio.
Os estudos em curso indicam que idas similares de fogo podem ocorrer com mais frequência se as condições climáticas permanecerem aquecidas e secas. A destruição de solo húmico libera carbono de forma significativa, o que intensifica a preocupação com o papel dessas queimadas no aquecimento global.
Contexto climático
Pesquisadores ressaltam que o território apresenta áreas livres de gelo que podem queimar, diferentemente do que se observa em boa parte da Groenlândia. Dados de pesquisas anteriores mostram que incêndios na região cresceram entre 2008 e 2020, com eventos marcantes em 2017 e 2019, e que o aquecimento ártico ocorre de forma mais rápida do que no restante do planeta.
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