- Estudo aponta que homens com 60 anos ou mais que dormem mais de nove horas por noite apresentam queda mais rápida da velocidade de caminhada ao longo de oito anos.
- A pesquisa acompanhou 1.582 homens e 1.626 mulheres com 60 anos ou mais, usando dados do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA).
- Em homens, o grupo de sono prolongado chegou a perder até 25% da velocidade inicial da marcha; entre as mulheres, não houve a mesma associação com o tempo de sono.
- Especialistas citam sono de baixa qualidade em repouso prolongado, com fragmentação e menos fases profundas, como fator que afeta o equilíbrio hormonal masculino.
- Possíveis explicações biológicas incluem queda na produção de testosterona e aumento de inflamação crônica, associados à redução de massa muscular e mobilidade.
Dormir demais na terceira idade pode afetar a mobilidade de homens com 60 anos ou mais, segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Directors Association. A pesquisa aponta que dormir mais de nove horas por noite está associado a uma perda mais rápida de velocidade de caminhada ao longo do tempo.
O estudo de larga escala envolve dados de mais de 3 mil idosos acompanhados por oito anos, parte do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA). Participaram 1.582 homens e 1.626 mulheres com 60 anos ou mais, sem problemas de marcha no início.
Conduzido pela UFSCar em parceria com a University College London, o trabalho analisou padrões de sono e a evolução da locomoção, buscando entender impactos na independência diária. Os resultados destacam diferenças entre os sexos, com foco na mobilidade.
Resultados principais
Entre os homens, o grupo que dormiu mais de nove horas por noite registrou queda de até 25% na velocidade de caminhada ao longo do acompanhamento. As mulheres não apresentaram a mesma relação entre sono prolongado e mobilidade.
Os pesquisadores ressaltam que, mesmo com sono mais longo, a qualidade do descanso costuma ser baixa, com fragmentação e menos fases profundas. Tal padrão pode afetar o equilíbrio hormonal masculino, incluindo a testosterona.
Possíveis mecanismos
A redução na produção de testosterona pode favorecer a perda de massa muscular e força. Além disso, o sono prolongado está associado a maior atividade inflamatória crônica, comum no envelhecimento, o que também prejudica a mobilidade.
Os autores destacam a importância de monitorar o sono na prática clínica da geriatria. A partir dos achados, recomenda-se avaliar qualidade do repouso, padrões de sono e estratégias para preservar a função física em homens acima de 60 anos.
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