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Pacientes com câncer no sangue buscam melhorar qualidade de vida

Estudo com participação brasileira revela desalinhamento entre pacientes com LMC e médicos sobre qualidade de vida e efeitos colaterais; asciminibe é aprovado em primeira linha no Brasil

Foto: Novartis / DINO
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  • Estudo publicado na Haematologica, com participação do Brasil, envolvendo 361 pacientes e 198 médicos em 11 países, mostra desalinhamento entre o que pacientes e profissionais valorizam no manejo da LMC.
  • O tratamento padrão com inibidores de tirosina quinase exige uso contínuo e traz efeitos colaterais de longo prazo, como fadiga, náuseas, dores musculares e retenção de líquidos, impactando a rotina.
  • Cerca de 20% dos pacientes evitam relatar efeitos colaterais durante as consultas, por receio de mudanças no tratamento ou de parecer queixoso; metade quer mais informações sobre impactos na vida e no longo prazo.
  • No Brasil, a Anvisa aprovou o asciminibe para uso em adultos recém-diagnosticados com LMC Ph+ FC, com incorporação ao SUS e a planos de saúde após uso de pelo menos dois ITQs anteriores.
  • Profissionais destacam estratégias individualizadas para melhorar tolerabilidade, como ajuste de dose, mudança de horário ou substituição de medicação, visando qualidade de vida, rotina e objetivos de tratamento.

O tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) evoluiu para transformar a doença em uma condição crônica controlável para muitos pacientes. Apesar dos avanços, a experiência diária de quem convive com a doença revela desafios que vão além do aspecto clínico e afetam a qualidade de vida, o bem-estar e a rotina.

A investigação publicada na Haematologica envolveu 11 países, incluindo o Brasil, com 361 pacientes e 198 médicos. O estudo aponta um desalinhamento entre o que pacientes e profissionais valorizam na gestão da LMC: médicos priorizam indicadores clínicos, enquanto pacientes enfatizam tolerabilidade e impacto na vida diária.

O foco principal está nos efeitos colaterais de longo prazo dos inibidores de tirosina quinase (ITQs), usados diariamente e por tempo indeterminado em muitos casos. Entre essas consequências estão fadiga, náuseas, dores musculares e retenção de líquidos, que influenciam atividades cotidianas e a adesão ao tratamento.

A pesquisa também aponta barreiras na comunicação durante as consultas. Cerca de 20% dos pacientes evitam mencionar efeitos adversos por receio de mudanças no tratamento, medo de parecer queixosos ou acreditar que os sintomas são inevitáveis. Metade desejaria mais informações.

Um relato revela como a prática médica pode se ajustar. O engenheiro Thiago Brasileiro, diagnosticado com LMC há nove anos, relata que atrasos na conversa sobre efeitos colaterais levaram a adaptações de horários de medicação e impactos na vida profissional, com melhoria parcial na qualidade de vida.

A hematologista Dra. Carla Boquimpani enfatiza que há estratégias para lidar com a baixa tolerabilidade: ajustar dose, mudar o horário de administração ou substituir a medicação, sempre de forma individualizada e centrada na qualidade de vida e nos objetivos do paciente.

A disponibilidade de novas opções terapêuticas amplia as possibilidades de cuidado. Em 2025, a Anvisa aprovou o asciminibe para adultos recém-diagnosticados com LMC Ph+ em fase crônica, com incorporação já no SUS e em planos de saúde após uso de pelo menos dois ITQs anteriores.

A aprovação do asciminibe em primeira linha é apontada pela Dra. Boquimpani como mudança de paradigma: iniciar o tratamento com uma terapia mais direcionada pode aumentar as taxas de resposta, reduzir a toxicidade e melhorar a qualidade de vida.

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