- Pesquisadores da USP, em São Carlos, desenvolvem soluções de IA para agilizar trâmites do Judiciário e, entre outros usos, visam gerar relatórios de processos de forma automatizada.
- O projeto LLM4Gov, voltado ao setor público, ganhou prêmio pela criação de um grande modelo de linguagem seguro e privado para uso governamental, com treinamento feito em etapas que incluem anonimização de dados e uso de LoRA e quantização de quatro bits para rodar em hardware simples.
- O objetivo é classificar rapidamente matérias de processos, direcionando o fluxo de trabalho adequado e reduzindo o tempo de espera por respostas judiciais.
- Em 2025, pesquisa associada mostrou avanços na identificação automática de informações em documentos jurídicos, com uso de documentos do Diário Oficial para reduzir custos de rotulação de dados.
- A diagramação: a morosidade do Judiciário brasileiro continua alta, com mais de oitenta milhões de processos pendentes em 2024 e média de tramitação de quatro anos, destacando a necessidade de soluções que aumentem eficiência e acesso à justiça.
A USP desenvolve soluções de IA para agilizar trâmites judiciais no Brasil. Pesquisadores de São Carlos trabalham em modelos de linguagem avançados para classificar ações e orientar fluxos de trabalho no judiciário. O objetivo é reduzir a demora que hoje marca muitos processos.
O projeto envolve a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a equipe do Laboratório de Inteligência Computacional (Labic). O uso da IA visa automatizar tarefas como triagem e organização de processos, mantendo proteção de dados e conformidade com a legislação.
Resultados já obtidos apontam ganhos de eficiência. Estudos publicados em 2024 mostraram identificação automática de informações em documentos jurídicos. Em 2025, a equipe ganhou prêmio internacional pelo LLM4Gov, um framework para uso governamental seguro, econômico e privado.
Uma IA pensada para a governança
O LLM4Gov é desenvolvido sob uma abordagem professor-aluno, com etapas de anonimização, treino de modelos menores a partir de um modelo robusto, e ajuste fino por LoRA e quantização de 4 bits. O objetivo é treinar em hardware acessível, mantendo qualidade e privacidade dos dados.
O classificador de matérias automatiza a definição de encaminhamentos, reduzindo atrasos e facilidades de fluxo. Pesquisadores destacam que a ferramenta atua na gestão de fluxos, sem substituir a cognição humana em casos complexos, e reforçam a necessidade de diretrizes éticas claras.
Desafios envolvem proteger dados pessoais e evitar distorções na análise de casos. A implementação prioriza a governança pública, com dados anonimizados e uso restrito a infraestruturas locais, conforme normas de proteção de dados.
A alta demanda do Judiciário brasileiro
Dados do Justiça em Números 2025 indicam 80,6 milhões de processos pendentes no Brasil em 2024, o equivalent a um a cada três brasileiros. O tempo médio de tramitação chega a quatro anos, com produtividade em expansão gradual.
Observa-se subutilização de acesso à justiça: cerca de 25% da população não consegue obter assistência jurídica gratuita devido à renda. Além disso, há déficit de profissionais no sistema, agravado pela sobrecarga de atividades no âmbito da Defensoria Pública.
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