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Reconhecimento do Lagamar revela lições para a conservação marinha no Brasil

Lagamar recebe reconhecimento como Área Importante para Tubarões e Raias, destacando a importância de pesquisas de longo prazo para conservação e políticas públicas

Raia-viola-do-focinho-curto — Foto: Gabriel Marchi
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  • Lagamar é reconhecido como Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA), destacando seu papel estratégico para espécies ameaçadas no Atlântico Sul.
  • Localizado entre o litoral do Paraná e o sul de São Paulo, abriga um dos maiores sistemas estuarinos, favorável à reprodução, alimentação e crescimento de tubarões e raias.
  • Pesquisas apontam quarenta espécies de tubarões e setenta e cinco de raias que utilizam a região em momentos críticos, fortalecendo o Lagamar como berçário natural.
  • O avanço é fruto de longos dados históricos, monitoramento de desembarques e parceria com pescadores artesanais, além de projetos como One Blue Health, que subsidiam decisões públicas.
  • O REBIMAR já devolveu ao oceano mais de cinco mil animais; o reconhecimento chega em meio a preocupações globais com a saúde dos oceanos.

O Lagamar, entre o litoral do Paraná e o sul de São Paulo, foi reconhecido como Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA). O feito reforça a importância da pesquisa científica para orientar estratégias de conservação da biodiversidade marinha brasileira. O status também destaca o papel de áreas costeiras na sobrevivência de espécies ameaçadas.

O reconhecimento é fruto de décadas de estudos que mostraram a relevância do sistema estuarino do Lagamar. Manguezais, baías, rios e o oceano formam um mosaico produtivo, que favorece reprodução, alimentação e crescimento de tubarões e raias. Fêmeas usam a área para dar à luz.

O Lagamar abriga um dos maiores e mais bem conservados sistemas costeiros do Atlântico Sul. Estudos indicam 40 espécies de tubarões e quase 75 espécies de raias que recorrem à região em momentos críticos de vida, fortalecendo sua função como berçário natural.

Parcerias com pescadores artesanais contribuíram para o conhecimento científico. Pesquisadores e comunidades pesqueiras identificaram espécies, registraram ocorrências e compreenderam o uso do litoral paranaense por elasmobrânquios ao longo de anos.

A construção do conhecimento envolveu monitoramento de desembarques, registro de filhotes e de fêmeas grávidas, além de análises populacionais. Esse conjunto de dados permitiu confirmar, com base em evidências, que o Lagamar atende aos critérios de ISRA.

As evidências apoiam o uso de dados biológicos, padrões migratórios e áreas-chave de alimentação, descanso e reprodução para sustentar a classificação. O ISRA, por sua natureza científica, orienta decisões futuras sobre conservação e políticas públicas.

O reconhecimento ocorre em contexto de pressão global sobre tubarões e raias. Relatórios de pesquisa e monitoramento apontam que mais de um terço das espécies enfrenta risco de extinção, com quedas de grandes espécimes em várias regiões.

Um exemplo citado é a raia-viola-do-focinho-curto, capturada acidentalmente pela pesca e alvo de protocolos de resgate, reabilitação e soltura conduzidos pelo REBIMAR. Em 15 anos, mais de 5.800 indivíduos foram devolvidos ao oceano.

O projeto One Blue Health integra estudos sobre saúde ambiental, animal e humana, ampliando a compreensão das ligações entre ecossistema costeiro e bem-estar das comunidades locais. Investimentos em monitoramento contínuo acompanham grandes projetos na região, como a construção de um novo porto privado no Paraná.

Essa vigilância permite registrar condições ambientais antes, durante e depois de intervenções. Em um país com iniciativas de longo prazo ainda pouco comuns, o Lagamar demonstra o valor da ciência para decisões ambientais mais informadas.

Conservar o oceano, no entendimento atual, envolve manter a interdependência entre saúde dos ecossistemas e bem-estar humano. Dados de longo prazo ajudam a explicar como alterações no ambiente afetam a biodiversidade e as comunidades costeiras.

Dados e evidências

A Ilha do Lagamar reúne estuários, manguezais e áreas de desembocadura que sustentam a vida marinha e a reprodução de várias espécies. O reconhecimento como ISRA reforça o papel da região na biodiversidade do Atlântico Sul.

Parceiros e ações em andamento

Pesquisadores, comunidades pesqueiras e iniciativas como o REBIMAR impulsionam monitoramento, resgate e reabilitação de espécies ameaçadas, fortalecendo estratégias de conservação com dados de campo.

Perspectivas futuras

O ISRA oferece subsídios técnicos para contemplar futuras áreas de proteção; a ampliação de unidades de conservação pode ser considerada com base em evidências científicas robustas, mantendo o Lagamar como referência de conservação costeira.

Sandrah Souza Guimarães é jornalista e coordenadora de comunicação do programa Rebimar

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