- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o Veoza (fezolinetanto), o primeiro medicamento não hormonal para fogachos e suores noturnos da menopausa, no Brasil.
- O comprimido diário amplia opções para quem não pode ou não quer usar reposição hormonal, seja por contraindicações ou decisão pessoal.
- O mecanismo atua bloqueando o receptor da neurocinina B no hipotálamo; após quatro semanas, houve redução média de cinquenta e três por cento das ondas de calor diárias.
- O medicamento é relevante para mulheres com histórico de trombose, AVC, infarto ou câncer de mama, mas a decisão de uso deve ser individualizada.
- Para chegar às farmácias, o Veoza precisa passar pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e, no SUS, pela avaliação da Conitec; no curto prazo, deve ficar no mercado privado com custo elevado.
A Anvisa aprovou nesta semana o primeiro medicamento não hormonal voltado especificamente ao tratamento dos fogachos e suores noturnos da menopausa, no Brasil. O comprimido diário, chamado Veoza (fezolinetanto), é produzido pela farmacêutica Astellas e marca uma nova opção terapêutica para quem não pode ou não quer usar hormônios. A aprovação amplia o leque de tratamentos para a saúde feminina.
O consenso entre especialistas aponta que a terapia hormonal continua mais eficaz para quem pode utilizá-la, mas Veoza atende pacientes com contraindicações ou preferência por não hormonal. Médica endocrinologista Carolina Janovsky ressalta a relevância dessa alternativa para quem não podia recorrer à reposição.
A aprovação é vista como avanço no cuidado com o climatério e a saúde feminina, área que vinha recebendo poucas inovações. Marcella Cardoso, pesquisadora associada a Harvard Medical School, destaca que novas opções não hormonais fortalecem a pesquisa e a medicina baseada em evidências.
Como funciona
Para entender o papel do fezolinetanto, é preciso considerar o hipotálamo, o termostato do corpo. Com a queda de estrogênio no climatério, a neurocinina B aumenta, ativando o alarme de calor. O medicamento bloqueia o receptor da neurocinina B, reduzindo as ondas de calor ao longo do tempo.
Dados da Anvisa indicam que, após quatro semanas de uso, houve redução média de 53% nas ondas de calor diárias. A expectativa é diminuir a frequência e a intensidade dos episódios, sem expectativa de resolução imediata.
Públicos de interesse e limitações
O Veoza não trata todos os aspectos da menopausa, como ressecamento vaginal ou osteoporose. Médica explica que o tratamento deve ser parte de um plano abrangente de saúde feminina, incluindo hidratação, lubrificação, cálcio, vitamina D e exercícios.
A segurança permanece sob monitoramento, com possíveis efeitos colaterais como dor de cabeça, diarreia, insônia e dores nas articulações. Exames de sangue para avaliar função hepática são recomendados antes e durante o tratamento, devido a alertas de risco hepático identificados pela FDA.
Acesso e próximos passos
Depois da aprovação pela Anvisa, o Veoza depende da CMED para definição de preço. Inicialmente, a comercialização deve ocorrer no setor privado, com alto custo, e, posteriormente, ingresso no SUS deve ser avaliado pela Conitec, com base em custo-benefício.
A introdução do Veoza representa uma nova rota terapêutica para mulheres com histórico de trombose, AVC, infarto ou câncer de mama, que podem ter limitações com a reposição hormonal. A decisão clínica permanece individualizada, considerando riscos, sintomas e tratamentos em andamento.
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