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Bactéria do solo pode gerar 4 antibióticos contra superbactérias

Streptomyces revela megacluster de genes que produz quatro antibióticos atuando na via da biotina, potencial para enfrentar superbactérias

Imagem de bacterias em mãos de pesquisadores
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  • Pesquisadores identificaram em Streptomyces um megacluster de genes capaz de produzir quatro famílias de antibióticos e uma proteína, em estudo publicado em 24 de junho na Nature.
  • Os compostos atuam em diferentes pontos da via metabólica da biotina (vitamina B7), o que complica o desenvolvimento de resistência.
  • O estudo clonou o megacluster em Streptomyces de laboratório e realizou testes em camundongos infectados com Escherichia coli.
  • Em combinação, os antibióticos stravidina e α-Me-KAPA reduziram significativamente a carga bacteriana em órgãos e no sangue; o efeito foi melhor quando usados juntos.
  • Acidomicina e dapamicina tiveram efeito limitado sozinhos, devido à baixa solubilidade em água e à decomposição rápida.

Comentário científico aponta que uma bactéria comum do solo pode abrir caminho para novas opções de antibióticos. Pesquisadores identificaram, em Streptomyces, um megaaglomerado de genes que produzem quatro famílias de antibióticos e uma proteína associada. O achado foi publicado nesta quarta-feira, 24 de junho, na Nature.

O estudo descreve que os cinco compostos atacam simultaneamente diferentes etapas da via de biossíntese da biotina, vitamina B7, essencial à sobrevivência de várias bactérias. A estratégia mira múltiplos alvos para dificultar o surgimento de resistência.

Além disso, a equipe identificou que a Streptomyces codifica as famílias stravidinas, acidomicina, α-Me-KAPA e as dapamicinas, além da proteína estreptavidina. Esse conjunto reforça o potencial de explorar a via metabólica da biotina para combater infecções.

Resultados experimentais e comparação de eficácia

Os cientistas clonaram 65.808 pares de bases do megacluster em Streptomyces de laboratório e realizaram testes em camundongos infectados por Escherichia coli, uma superbactéria. Nesse modelo, antibióticos stravidina e α-Me-KAPA reduziram substancialmente a carga bacteriana.

Quando administrados conjuntamente, os efeitos de stravidina e α-Me-KAPA foram superiores aos observados para cada droga isoladamente. Os dois demais compostos, acidomicina e dapamicina, apresentaram desempenho menor isoladamente, atribuído a questões de solubilidade e estabilidade.

Os resultados ressaltam a importância de combinar moléculas que atuem na mesma via metabólica para ampliar a eficácia e reduzir a possibilidade de resistência, segundo os autores. A pesquisa destaca ainda o papel da estreptavidina como alvo da biotina.

Contexto e relevância

A descoberta ocorre em meio à preocupação com bactérias multirresistentes. Projetos de saúde estimam que esse grupo possa causar até 39 milhões de mortes entre 2025 e 2050 se nenhuma novidade terapêutica for desenvolvida.

A Streptomyces é conhecida pela produção de antibióticos amplamente utilizados, incluindo a estreptomicina, histórico antimicrobiano contra a tuberculose. O estudo da McMaster, no Canadá, contou com a participação de pesquisadores internacionais.

O estudo aponta que avanços na biotecnologia genética permitem modular segmentos de DNA para avaliar potenciais novas moléculas antimicrobianas. A equipe indica que mais pesquisas são necessárias para traduzir os resultados em opções terapêuticas eficazes em humanos.

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