- França gera cerca de 10 milhões de toneladas de lixo orgânico que poderiam virar adubo, mas apenas 17% é coletado, com pouca embalagem biodegradável correta.
- Em usinas de compostagem, a triagem de plástico não compostável eleva custos; de quase 800 plataformas no país, apenas 91 aceitam lixo das famílias.
- Existem apenas três aplicações autorizadas para embalagens compostáveis: cápsulas de café, saquinhos de chá e etiquetas de frutas e legumes; sacolas para resíduos orgânicos são toleradas, apesar de não constarem na lista europeia.
- Na Itália, 72% do lixo orgânico familiar é coletado para compostagem, um exemplo considerado cultural; outros países europeus variam entre 30% e 56%.
- A União Europeia prioriza reciclagem e reutilização em vez da compostagem; até 2030 todas as embalagens devem ser recicláveis, o que reduz o foco na cadeia de compostagem segundo especialistas.
O manejo do lixo orgânico enfrenta entraves relevantes devido à baixa disponibilidade de embalagens compostáveis. Em frentes como a França, o potencial de transformar resíduos domésticos em adubo orgânico é grande, mas a coleta e a segregação ainda ficam aquém do necessário para a compostagem avançar.
Na prática, somente uma parcela pequena do lixo orgânico é coletada e embalada com materiais biodegradáveis. Em plataformas de compostagem, a presença de embalagens não compostáveis eleva os custos e dificulta a triagem, reduzindo o número de usinas aptas a receber o material das famílias.
Emmanuelle Gastaldi, professora da Universidade de Montpellier e referência no tema, explica que as embalagens comestíveis são ainda raras e limitadas a aplicações como cápsulas de café, saquinhos de chá e etiquetas de frutas e legumes. Ela ressalta que há pouco espaço para expansão sem investimentos em pesquisa.
Situação na Itália como referência
A Itália é citada como exemplo de sucesso cultural na coleta de lixo orgânico, com cerca de 72% do lixo doméstico encaminhado à compostagem. Países como Noruega, Dinamarca, Luxemburgo e Alemanha mantêm índices entre 30% e 56%, enquanto Portugal, Polônia e Grécia ficam abaixo de 10%.
Gastaldi associa esse desempenho a hábitos alimentares menos ultraprocessados na Itália, sugerindo que o consumo de embalagens influencia o modo como os resíduos são geridos. Em contraste, o uso elevado de ultraprocessados muda o foco para a embalagem, muitas vezes descartada sem reaproveitamento adequado.
Prioridades e desafios na União Europeia
Segundo a pesquisadora, o custo direto das embalagens biodegradáveis não é o principal obstáculo para a cadeia de compostagem. A UE prioriza reciclagem e reutilização de resíduos, estabelecendo que, a partir de 2030, todas as embalagens no bloco devem ser recicláveis. A compostagem permanece como um nicho com menor impulso político e financeiro.
Gastaldi aponta que o desenvolvimento da cadeia de compostagem recebe menos investimentos que a reciclagem, o que prejudica pesquisas e inovações. Ela cita ainda a atuação de fabricantes asiáticos, que avançam em materiais com barreiras de atmosférias modificadas, ampliando o desafio para produtores europeus.
O debate envolve também a necessidade de soluções para embalagens de alimentos sensíveis, que exigem barreiras adequadas para conservação. A especialista enfatiza que o equilíbrio entre proteção, custo e capacidade de compostagem precisa de avanços técnicos para ampliar a segregação e a viabilidade econômica.
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