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Cachalotes podem ter desenvolvido dois dialetos diferentes

Cachalotes do Mediterrâneo revelam dois dialetos distintos: o ritmo das vocalizações difere entre leste e oeste, sinalizando possível surgimento de diferenças culturais

As cachalotes do Mediterrâneo parecem ter se dividido em duas populações distintas, cada uma com seu próprio dialeto
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  • Estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B identificou dois dialetos distintos entre cachalotes do Mar Mediterrâneo: um no leste e outro no oeste.
  • Os pesquisadores analisaram cinco mil cento e cinquenta e um codas gravadas entre dois mil e três e dois mil e vinte e um.
  • A principal diferença está na velocidade das vocalizações: os cachalotes orientais executam a cadência “três mais um” de forma muito mais rápida, mantendo parte do repertório comum aos dois grupos.
  • Os ancestrais dos cachalotes mediterrâneos chegaram à região há cerca de vinte mil anos, atravessando o Estreito de Gibraltar, e a população permaneceu relativamente isolada desde então.
  • Os autores discutem hipóteses de surgimento gradual de dialetos ao longo de centenas ou milhares de anos, com possibilidade de memória cultural da forma ancestral de comunicação.

Cachalotes do Mar Mediterrâneo parecem ter desenvolvido dois dialetos distintos, conforme estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B. A pesquisa analisa quase 20 anos de gravações para entender diferenças culturais entre animais não humanos.

Os autores identificam que os grupos do Mediterrâneo oriental e ocidental adotaram versões diferentes de um mesmo padrão de vocalização, mantendo parte do repertório comum, mas com características próprias em suas codas.

Os dados, obtidos entre 2003 e 2021, mostram que as Baleias-cachalote do leste promovem codas com velocidade maior, enquanto as do oeste mantêm o ritmo tradicional, gerando uma divergência perceptível entre as populações.

Essa diferenciação ocorre mesmo que o padrão “três mais um” siga presente, com variações na cadência e no tempo entre cliques, sugerindo parcial continuidade do traço ancestral.

O estudo ressalta que, apesar da separação geográfica há milênios, o Mediterrâneo manteve uma população relativamente isolada, o que facilita o surgimento de variações ao longo do tempo.

A hipótese principal é que a memória cultural mantenha o dialeto ancestral, permitindo que alguns indivíduos, mesmo entre grupos, utilizem versões diferentes do mesmo repertório sonoro.

Especialistas ressaltam que o fenômeno pode exemplificar como diferenças culturais aparecem gradualmente em espécies não humanas, com mudanças ocorrendo ao longo de centenas ou milhares de anos.

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