- O projeto Amazônia Revelada usa drones com LiDAR para mapear vestígios humanos milenares na floresta, removendo a copa das árvores para ver o solo em 3D.
- Estima-se que, antes da chegada europeia, a região era densamente habitada por 8 a 10 milhões de pessoas.
- No Acre, foram mapeadas 955 estradas pré-colombianas que somam cerca de 350 quilômetros, conectando rios, aldeias e geoglifos.
- Em Rondônia, surgem vestígios de vilas sobrepostas a ocupações antigas, com evidências em valas e terra preta.
- A segunda fase do projeto pretende cobrir 60 mil quilômetros quadrados, com financiamento inicial de 10 milhões de reais da National Geographic Society e apoio de instituições como Instituto Arapyaú e Google.org; o trabalho só ocorre com consentimento das comunidades, que muitas vezes guiam os pesquisadores e, em alguns casos, operam os drones.
O Projeto Amazônia Revelada utiliza drones equipados com rastreamento a laser LiDAR para mapear vestígios da presença humana milenar na Amazônia. O foco está na Amazônia Legal, com dados ainda em análise, para entender como a região foi ocupada no passado e proteger o bioma.
No Acre, a varredura revelou uma rede de 955 estradas pré-colombianas que somam cerca de 350 quilômetros, conectando rios, aldeias e geoglifos. Em Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia, surgem vilas sobrepostas a ocupações antigas, com sinais de terra preta.
O projeto valoriza saberes indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas. Todas as etapas de mapeamento dependem de consentimento prévio e de orientação das comunidades, que ajudam a indicar locais de maior relevância histórica.
Participação das comunidades
Em Alto Xingu, o povo Kuikuro inicialmente recusou sobrevoos para proteger locais sagrados. Hoje, os próprios moradores operam drones com rastreamamento para registrar seu território, sob supervisão dos pesquisadores.
A primeira fase já cobriu 1.600 quilômetros quadrados. A equipe planeja a segunda fase, que pretende mapear 60.000 quilômetros quadrados, 40 vezes mais. O desafio financeiro é alto e depende de novos aportes.
O financiamento inicial foi de 10 milhões de reais da National Geographic Society. A busca por recursos continua com apoio da ONG Instituto Arapyaú e da Google.org para manter pesquisas e processamento de dados.
Essas evidências apontam que a floresta foi manejada ao longo de milênios, com impactos diretos no solo e na organização do território. A preservação legal de sítios arqueológicos também é fortalecida pela legislação brasileira.
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