- Um virologista americano, Chris Buck, criou uma cerveja “vacina” em casa, afirmando que beber o imunizante pode gerar anticorpos contra vírus, incluindo o poliomavírus.
- Buck fundou a Gusteau Research Corporation, organização sem fins lucrativos, após o Instituto Nacional do Câncer (NCI) proibir experimentos com cerveja em seu local de trabalho.
- Testes caseiros foram divulgados na plataforma Zenodo.org; Buck diz ter obtido respostas de anticorpos em familiares e camundongos, sem efeitos colaterais relatados, mas o estudo não foi revisado por pares.
- O NCI abriu investigação e Buck foi suspenso temporariamente com salário, em fevereiro, ainda sem detalhes oficiais sobre o motivo.
- Especialistas divergem: alguns consideram prematuro tirar conclusões com apenas dois casos; outros veem potencial teórico, desde que vacinas passem por rigorosos ensaios clínicos, com possibilidade de aplicações futuras em Covid-19, gripe e outros vírus.
Um virologista americano pode ter apresentado uma ideia polêmica: fabricar uma cerveja que funcione como vacina. O pesquisador afirma ter testado o conceito em casa, após buscar combinar imunização com uma bebida. A iniciativa envolve pesquisas sobre vacinas orais e o uso de levedura viva como veículo de antígenos.
Chris Buck, ligado ao Instituto Nacional do Câncer (NCI) em Bethesda, Maryland, diz ter desenvolvido a técnica para vacinar contra o poliomavírus, cuja imunização poderia beneficiar pacientes com maior risco. O projeto ganhou apoio de familiares, que participaram dos testes em ambiente doméstico.
Experimento e organização
O NCI proibiu Buck de realizar experimentos com cerveja no local de trabalho, levando-o a criar a Gusteau Research Corporation, uma organização sem fins lucrativos para conduzir os testes em casa. Buck afirma ter observado produção de anticorpos em seus familiares e relata ausência de efeitos adversos durante o estudo apresentado em plataformas de dados.
O preparo envolve levedura de cerveja geneticamente modificada para induzir resposta imune. Buck descreve o método em seu blog, sugerindo que o sistema imune poderia ser ativado pela vacinavira na lição da levedura viva. Os testes foram divulgados em uma base de dados científica, ainda sem revisão externa.
Reação da comunidade científica
Até o momento, nenhum pesquisador externo revisou os resultados. Um comitê do National Institutes of Health recomendou não publicar o estudo em plataformas de pré-impressão, citando o caráter de autoexperimento. Em fevereiro, Buck foi suspenso temporariamente com remuneração, em análise institucional.
Especialistas consultados publicamente expressaram ceticismo quanto à confiabilidade de resultados obtidos com poucos participantes. Um virologista ressaltou que não é possível tirar conclusões com base apenas em dois casos testados, destacando a necessidade de rigorosos ensaios clínicos. Outro especialista em ética médica considerou a abordagem inadequada para o momento político em torno das vacinas.
Perspectivas e possibilidades
Alguns colegas reconhecem o potencial conceitual da ideia, mesmo sinalizando que a via de entrega por levedura requer avaliação rigorosa. A hipótese de vacinas orais, que resistem ao ambiente gástrico e atuam no intestino, é mencionada como exemplo de viabilidade em cenários futuros. Outros especialistas destacam que qualquer avanço nesse campo precisa seguir padrões de segurança e transparência.
Entretanto, a proposta não é vista como substituto imediato das vacinas tradicionais. Pesquisadores ressaltam que o caminho científico exige protocolos de teste, validação por pares e aprovação regulatória antes de qualquer uso em pacientes. A discussão atual foca, principalmente, na avaliação metodológica e nos impactos na confiança pública.
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