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Aldeias indígenas da Amazônia reinventam a transição energética, aponta estudo

Energia solar se integra à produção artesanal Palikur-Arukwayene no Amapá, fortalecendo saberes tradicionais e práticas coletivas

Energia solar em aldeia indígena — Foto: Matheus Melo
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  • A pesquisa acompanha os Palikur‑Arukwayene na Terra Indígena Uaçá, no Amapá, sobre sistemas fotovoltaicos financiados pelo projeto Energia Limpa Vida Sustentável, ligado à iniciativa Amazônia+10.
  • Parte da energia solar passou a abastecer ateliês coletivos de cerâmica e marcenaria, com ferramentas elétricas e tornos, integrando a tecnologia às práticas produtivas.
  • A comunidade reorganizou o uso da infraestrutura, definindo prioridades locais e fortalecendo a produção artesanal como eixo central de vida social, econômica e ritual.
  • O estudo reúne mestres artesãos, jovens aprendizes e pesquisadores em espaços de produção compartilhada, preservando saberes tradicionais, como o processo de cerâmica.
  • Os desdobramentos seguintes devem ocorrer em parceria com o Departamento de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Oxford, para ampliar o intercâmbio sobre energia limpa, povos indígenas, proteção da Amazônia e justiça climática.

A pesquisa acompanha a comunidade Palikur-Arukwayene na Terra Indígena Uaçá, no Baixo Oiapoque, Amapá. Sistemas fotovoltaicos instalados pelo projeto Energia Limpa Vida Sustentável, financiado pela Amazônia+10, ganharam uso além de residências: alimentam ateliês de cerâmica e marcenaria. A ideia é entender como a energia chega às práticas culturais.

Ao longo do estudo, ficam evidentes mudanças na gestão da eletricidade. Em vez de atender apenas lares, parte da energia abastece ferramentas elétricas, tornos e maquinários que fortalecem a produção artesanal coletiva. O foco está no vínculo entre tecnologia e tradições locais.

A pesquisa é parte do pós-doutorado Arte e técnica: regimes de conhecimento, aprendizagem e reformulações entre os povos da Terra Indígena Uaçá, sob supervisão da antropóloga Artionka Capiberibe, da Unicamp. O trabalho aposta em observar a participação comunitária na tomada de decisões.

Entre os saberes documentados, destacam-se o processo tradicional de cerâmica, a extração de argila, a coleta de casca de caripé para resistência térmica e a escolha de madeira. Esses ritos de produção são revelados como integrantes das práticas territoriais dos Palikur-Arukwayene.

Irabete Labonté, ceramista, relembra o aprendizado da avó Nazaré Felício e descreve o papel central da transmissão de saberes entre gerações. A cerimônia do Turé envolve regras que restringem a observação de pessoas de fora, demonstrando o entrelaçamento entre energia, arte e cosmologia.

Outro destaque é Natã dos Santos, escultor que retomou bancos cerimoniais após consultar imagens do bisavô, reunidas pelo etnógrafo Curt Nimuendajú e hoje preservadas no Museu da Cultura Mundial, na Suécia. A produção retorna à aldeia com o apoio da infraestrutura do projeto.

Para os pesquisadores, a experiência indica que tecnologias modernas podem coexistir com saberes tradicionais. A eletrificação não substitui, mas complementa práticas culturais e produtivas, desde que haja participação comunitária.

Os próximos desdobramentos acontecem em parceria com o Departamento de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Oxford. O objetivo é ampliar intercâmbios sobre energia limpa, povos indígenas, proteção da Amazônia e justiça climática.

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