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Cocaína é encontrada em tubarões e raias na costa do Rio de Janeiro

Cocaína e outros contaminantes emergentes são encontrados em tubarões e raias na costa do Recreio dos Bandeirantes, ligados a despejo de esgoto e à urbanização.

Tubarão-martelo
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  • Recém-diagnóstico aponta cocaína em tubarões e raias na costa da zona Oeste do Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes.
  • Além da droga, foram encontrados Contaminantes de Preocupação Emergente, incluindo antibióticos, anti-inflamatórios, pesticidas e outras substâncias ilícitas.
  • o estudo analisou fígado, cérebro e músculos de elasmóbranquios, com sete animais no Recreio apresentando resíduos.
  • espécies afetadas incluem jovens da raia-borboleta (Gymnura altavela) e tubarões-martelo (Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena); uma raia teve maior variedade de substâncias, incluindo benzoilecgonina e cocaína.
  • a presença conjunta de cocaína e benzoilecgonina sugere exposição recente ligada ao esgoto; o estudo ressalta que os resultados devem ser interpretados com cautela devido ao número limitado de espécimes.

Passeio pela costa do Recreio dos Bandeirantes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, revelou resíduos de cocaína em tubarões e raias. O estudo aponta a presença de Contaminantes de Preocupação Emergente CECs, substâncias usadas na medicina, agroquímicos e drogas ilícitas, entre elas a cocaína.

Os materiais foram coletados de animais doados por pescadores artesanais entre 2021 e 2023. Entre os indivíduos analisados, sete elasmobrânquios apresentaram traços das substâncias, com destaque para uma raia jovem da espécie Gymnura altavela apresentando maior diversidade de compostos. Também houve detecção em tubarões das espécies Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena.

A pesquisa, publicada no dia 18 de junho na Science Direct, aponta que a combinação cocaína e benzoilecgonina indica exposição recente possivelmente associada a esgoto. A área do Recreio passou por expansão urbana, aumentando a pressão sobre ecossistemas costeiros, segundo os autores. Experiência de pesca artesanal local continua ativa na região.

Contexto e implicações

Os pesquisadores alertam que, embora a quantidade de substâncias tenha sido pequena, a presença de CECs é motivo de preocupação para fauna marinha e saúde humana. A ocorrência conjunta de cocaína e seus metabólitos reforça a necessidade de monitoramento contínuo dos corpos hídricos da região.

Os animais analisados estavam categorizados pela IUCN como em perigo, criticamente em perigo ou vulneráveis. O estudo envolve pesquisadores da Fiocruz, UFRJ, AquaRio, Universidade Andres Bello (Chile) e uma equipe de Santa Catarina. A interpretação dos resultados pede cautela devido ao pequeno tamanho da amostra.

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