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Musculação reprograma células do fígado e reverte danos da obesidade

Treino de força reprograma o fígado de camundongos, restaura energia, melhora sensibilidade à insulina e reduz inflamação crônica associada à obesidade

Uma mulher está realizando um exercício de musculação em uma academia. Ela está apoiada em um banco, com um haltere em uma das mãos, enquanto se inclina para frente. A mulher usa uma camiseta sem mangas e calças justas, além de um boné. Ao fundo, é possível ver outros equipamentos de ginástica e pessoas se exercitando.
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  • Estudo da Unicamp em camundongos mostra que treino de força provoca reprogramação molecular no fígado, indo além da musculação.
  • O foco foi epigenética: oito semanas de musculação alteraram a metilação do gene MTCH2, ligado ao processamento de energia no fígado.
  • O acúmulo de gordura no órgão gera inflamação crônica e falhas mitocondriais; o treinamento restaurou a energia do fígado.
  • As mudanças reduziram a atividade da proteína MTCH2, com o aumento de energia no órgão e queda da inflamação.
  • Os pesquisadores ressaltam que o estudo ajuda a entender como a musculação pode mitigar a doença hepática esteatótica e o risco de diabetes tipo 2.

O estudo conduzido na Unicamp mostra que a musculação reverte danos da obesidade ao agir no fígado. Pesquisadores observaram, em camundongos, que o treino de força não apenas fortalece músculos, mas também induz mudanças metabólicas no órgão.

Os testes indicam que oito semanas de treinamento modificam a epigenética hepática, ou seja, a forma como o DNA responde a fatores externos sem alterar a sequência genética. A pesquisa foca na metilação do DNA e no gene MTCH2, ligado ao processamento de energia no fígado.

A investigação foi coordenada pelo professor Leandro Pereira de Moura, da FCA da Unicamp, com apoio da Fapesp. Os resultados foram apresentados na revista Life Sciences, com divulgação anunciada em novembro.

O que mudou no fígado

Em fígados obesos, o excesso de gordura cria um ambiente tóxico que gera inflamação e prejudica as mitocôndrias. O órgão tenta se regenerar, mas a energia insuficiente leva à fibrose e à redução funcional. A obesidade agride o DNA sem alterá-lo diretamente, segundo os pesquisadores.

Com a musculação, a energia celular é recuperada. A alteração epigenética reduz a expressão da proteína MTCH2, associada ao transporte de energia. A equipe aponta que a prática de força devolve condições para o fígado operar com menos estresse.

Entrevistas e desdobramentos

Moura explica que o corpo reconhece o ambiente menos tóxico e desliga o modo de emergência genético. A diminuição da proteína MTCH2 aparece como reflexo da melhoria energética, sinalizando menor dano hepático.

Os autores destacam que a pesquisa pode abrir caminhos para estratégias de prevenção e reabilitação da doença hepática gordurosa não alcoólica. Os resultados reforçam o papel do treino de resistência como complemento a ações nutricionais.

Perspectivas futuras

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de estudos adicionais em humanos para confirmar a aplicabilidade clínica. A continuidade visa entender como a musculação pode ser integrada a tratamentos existentes, visando reduzir inflamação e preservar a função hepática a longo prazo.

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