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Uso excessivo de telas pode afetar mãos, olhos e corpo

Postura ao olhar telas pode exercer até 27 kg de pressão sobre o pescoço, enquanto mais tempo ao ar livre reduz risco de miopia associada ao uso de telas

Adolescente usando o celular na cama à noite
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  • O uso constante de celulares pode gerar até 27 kg de pressão na região do pescoço devido à postura de olhar para baixo, o que pode afetar a coluna; a prática sugerida é elevar o celular à altura dos olhos e manter a tela a distância de um braço.
  • A queda no tempo passado ao ar livre, e não o uso de telas em si, está associada ao aumento da miopia; a exposição à luz do sol ajuda a liberar dopamina na retina, contribuindo para a proteção dos olhos.
  • A força de preensão das mãos vem ficando menor em várias partes do mundo, especialmente entre os jovens; exercícios simples como apertar uma bola e movimentos de punho ajudam a manter a força.
  • O uso excessivo de telas pode reduzir a destreza motora fina em crianças, embora não seja necessário eliminar as telas; é recomendado estimular atividades manuais, como cozinhar, artesanato, tocar instrumento ou escrever à mão.
  • O uso de relógios inteligentes em ambientes escuros e úmidos pode favorecer fungos e irritações na pele; a recomendação é tirar o relógio com frequência, lavar a pele e usar creme de barreira se for usar o dia todo.

O uso constante de celulares e computadores pode provocar mudanças mensuráveis no corpo, aponta uma reportagem da BBC. A pesquisa reúne dados sobre postura, força das mãos, coordenação motora e possíveis impactos cognitivos. O foco é entender como o tempo de tela afeta o organismo.

Além do tempo diante de telas, a matéria destaca que hábitos fora de casa também influenciam a visão. A relação entre exposição ao ar livre e miopia aparece como fator importante na prevenção, segundo estudos citados pela reportagem. A importância de pausas e de atividades ao ar livre é ressaltada pelos especialistas.

Pressão na coluna

Manter a cabeça inclinada para baixo ao olhar o celular, prática chamada tech neck, pode exercer até 27 kg de pressão no pescoço. Com o tempo, há risco de danos em discos e articulações e, em alguns casos, de redução da função pulmonar. A recomendação é erguer o celular à altura dos olhos e manter a tela a distância de um braço.

Para quem usa monitores, a orientação é semelhante: pausas regulares e períodos sem tela ajudam a reduzir o esforço cervical. Técnicas simples de alongamento podem complementar a prevenção.

Pele irritada

A dermatologista Justine Hextall, do Royal College of Physicians, diz que o tech neck pode favorecer rugas pela repetição de estresse sobre a pele, embora ainda não haja evidências conclusivas. Ela ressalta aviso contra produtos rotulados como anti tech-neck.

Outra questão prática é o uso de smartwatches. Estar em ambientes escuros e úmidos sob o relógio pode favorecer fungos, irritações e eczema. A médica recomenda remover o relógio com frequência, lavar a pele e usar creme de barreira se o uso for contínuo.

Miopia: quem é o culpado?

Estudos de longa data associam o tempo ao ar livre à proteção contra miopia. Pesquisas de Donald Mutti, da Ohio State University, indicam que o chamado trabalho de perto não explica sozinha o aumento da condição em crianças. A luz solar estimula dopamina na retina, influenciando o desenvolvimento ocular.

Como grande parte do dia ocorre dentro de casa, o efeito indireto sobre a visão costuma ser relacionado ao estilo de vida. Mutti recomenda mais tempo ao ar livre para favorecer o sono e contribuir para a saúde ocular.

Mãos mais fracas

A força de preensão manual vem caindo em vários países, especialmente entre jovens, e pode sinalizar quadro broader de saúde. Pesquisas associam menor firmeza de aperto a riscos de mortalidade precoce, o que levanta alertas sobre condicionamento físico.

Especialistas sugerem atividades simples, como apertar uma bola de tênis por 15 a 30 segundos, para fortalecer a mão. Quem tem dificuldade pode recorrer a exercícios de punho, além de incentivar prática regular de atividades físicas.

Menos destreza motora fina

O uso excessivo de telas pode, paradoxalmente, aprimorar a digitação, mas prejudica habilidades motoras finas em termos amplos. Pesquisas associam maior tempo de tela a menores habilidades manuais em crianças, com impactos potenciais no desempenho cognitivo.

Especialistas não defendem a proibição total de telas, mas recomendam incorporar atividades manuais na rotina, como cozinhar, artesanato, tocar instrumento ou escrever à mão, para manter a coordenação fina.

Com supervisão de Rennan Julio

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