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Adultos com obesidade acima de 40 apresentam melhora cardiovascular

Estudo com quase um milhão de adultos obesos acima de quarenta anos mostra pressão arterial e colesterol próximos aos de IMC normal, devido ao maior uso de estatinas e anti-hipertensivos

Atenção: apesar da melhora nos indicadores cardiovasculares entre os mais velhos, a equipe reforça que a obesidade continua associada a diversos problemas de saúde - (crédito: Image by Freepik)
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  • Estudo liderado pelo Imperial College London, publicado na Lancet, com dados de quase um milhão de pessoas, mostra que adultos com obesidade acima de quarenta anos apresentam pressão arterial e não-HDL próximos aos de quem tem IMC normal.
  • A tendência nas últimas três décadas, em países de alta renda, está ligada ao aumento da prescrição de estatinas e de fármacos para hipertensão.
  • Entre sessenta e setenta e nove anos, idosos obesos na Inglaterra e nos Estados Unidos passaram a ter níveis de pressão arterial e não-HDL semelhantes ou inferiores aos observados em pessoas com IMC normal.
  • Entre adultos com menos de quarenta anos, as diferenças entre obesidade e IMC normal persistem, possivelmente por menor uso de medicamentos preventivos nessa faixa etária.
  • Apesar da melhora cardiovascular observada, a obesidade continua associada a diabetes, doenças renais, hepáticas e alguns tipos de câncer, segundo os pesquisadores.

Adultos com obesidade acima de 40 anos mostram melhora nos indicadores cardiovasculares, conforme estudo liderado pelo Imperial College London e publicado na Lancet. A pesquisa reuniu dados de quase um milhão de pessoas e aponta queda relativa nos níveis de colesterol não HDL e na pressão arterial.

A análise revela que, nas últimas três décadas, em países de alta renda, idosos com obesidade passaram a apresentar valores próximos ou até menores que indivíduos com IMC normal. A explicação principal apontada pelos autores é o aumento da prescrição de estatinas e de fármacos anti-hipertensivos.

Essa tendência não se verifica entre adultos com menos de 40 anos, onde as diferenças entre obesos e pessoas com IMC normal permanecem pequenas. Em parte, isso é atribuído ao menor uso de medicamentos preventivos nessa faixa etária.

Obesidade e saúde cardiovascular

Os dados, coletados entre 1990 e 2024 a partir de 110 bases de dados de saúde de 11 países, mostram redução mais acentuada dos indicadores entre pessoas com obesidade de 40 a 79 anos, especialmente entre 60 e 79 anos. Em Inglaterra e EUA, idosos com obesidade grave atingiram níveis semelhantes ou inferiores aos de IMC normal.

Especialistas destacam que o avanço terapêutico cardiovascular não elimina os riscos associados à obesidade. Mesmo com controle de pressão arterial e colesterol, permanecem problemas como diabetes tipo 2, doença renal, esteatose hepática e alguns tipos de câncer.

Para o evento, o que permanece essencial é o manejo integrado da obesidade com tratamento de fatores de risco e medidas de estilo de vida. O papel de medicamentos para perda de peso é visto como complemento, não substituto do cuidado contínuo.

Perspectivas e impactos

Entre os jovens, a atenção médica preventiva ainda é baixa, o que sustenta a hipótese de que a melhoria observada em idosos decorre, em grande parte, do aumento da farmacoterapia. Especialistas defendem intervenções precoces em estilo de vida, rastreamento e, quando apropriado, tratamento farmacológico para evitar complicações futuras.

Profissionais de saúde ressaltam que a obesidade exige manejo multidimensional, com prevenção desde os primeiros sinais de ganho de peso, tratamento da obesidade como doença crônica, controle metabólico contínuo e acompanhamento prolongado para reduzir o acúmulo de risco ao longo da vida.

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