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Uso intenso de celular por idosos está associado a maior risco de depressão

Uso intenso de smartphones entre idosos se associa a maior risco de depressão, mas estudo não comprova causalidade e ressalta o papel da interação social

Inclusão dos idosos no meio digital ajuda a diminuir as diferenças entre as gerações
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  • Estudo publicado em 12 de março na JMIR Aging analisou 2.585 adultos com 60 anos ou mais, em Guangzhou, China, para identificar fatores ligados à depressão usando tecnologia de aprendizado profundo.
  • O isolamento foi identificado como um dos principais fatores, com uso intenso de celular associado a maior risco de depressão entre idosos.
  • Os pesquisadores destacam que a pesquisa não prova que o uso excessivo de smartphones cause depressão; trata-se de uma associação em um único momento.
  • Foram dois grupos especialmente vulneráveis: homens mais velhos com menor escolaridade e dependência de smartphones; e pessoas com renda e escolaridade mais elevados que também apresentavam dependência.
  • O estudo aponta que o celular pode favorecer relações sociais quando usado para manter contato, mas pode contribuir para isolamento se substitui a interação real; famílias e profissionais devem incentivar usos mais sociais.

O uso intenso de celulares por idosos pode estar associado a maior risco de depressão, aponta estudo publicado em 12 de março na JMIR Aging. A pesquisa analisou 2.585 respostas de moradores de 87 comunidades em cinco distritos de Guangzhou, na China, usando tecnologia de deep learning para identificar fatores ligados à depressão. Os pesquisadores observaram isolamento como um dos principais elementos, frequentemente acompanhado por longos tempos de exposição à internet.

O levantamento também destacou que, na maioria dos casos de depressão clínica, há dependência e uso excessivo de telas entre idosos que tinham menor participação em recursos de comunicação interativa. Não houve comprovação de que o uso excessivo de smartphones cause depressão, já que a análise capturou um único momento e não determina causalidade entre uso problemático e sintomas depressivos.

Resultados principais

A pesquisa identificou dois grupos especialmente vulneráveis. Homens mais velhos com menor escolaridade apresentaram sinais de dependência de smartphones, possivelmente devido à menor alfabetização digital e maior tendência a entretenimento passivo. Outro grupo, com renda e escolaridade mais elevados, mostrou maior probabilidade de depressão quando apresentava dependência de smartphones, sugerindo que acesso à tecnologia não garante sociabilidade.

Interpretações e limitações

Os especialistas ressaltaram que o smartphone pode funcionar como ponte para manter relacionamentos, especialmente à distância, por meio de videochamadas, mensagens e compartilhamento de fotos. Por outro lado, o uso como substituto de interações presenciais representa alerta para riscos à saúde mental.

Para Huang, pesquisador da Rutgers University, a relação entre depressão e uso excessivo de celulares é cíclica: o isolamento pode levar a maior dependência de telas, que por sua vez pode agravar sintomas depressivos. A equipe informou que a pesquisa mede apenas um momento no tempo, não permitindo estabelecer direção causal.

Implicações práticas

Os autores sugerem que famílias, comunidades e profissionais de saúde incentivem usos do celular que promovam interação social, ao invés de entretenimento solitário. O objetivo é manter o benefício de manter-se conectado, sem incentivar o isolamento social, que pode impactar a saúde mental dos idosos.

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