- Em um estudo cruzado com oito homens jovens e saudáveis, funcionários participaram de sessão de repouso ou do Teste de Estresse Social de Trier.
- Após o estresse, houve aumento de radicais livres, indicando maior estresse oxidativo no corpo.
- Ao mesmo tempo, a estrutura dos coágulos em formação tornou-se maior, mais densa e mais compacta com fibrina.
- Observou-se ativação de parte da via de coagulação intrínseca, sem mudanças na viscosidade do sangue.
- Os resultados sugerem que o estresse psicológico pode alterar a qualidade e a arquitetura do coágulo, e não apenas concentrar o sangue, com limitações de idade e sexo do grupo estudado.
O estudo descreve como o estresse psicológico pode alterar o sangue em tempo real. Voluntários saudáveis passaram por um sessão de estresse induzido em laboratório, e os pesquisadores monitoraram mudanças bioquímicas e na formação de coágulos.
A pesquisa mostra que, minutos após o estresse, aumenta a produção de radicais livres e ocorre remodelação na estrutura dos coágulos sanguíneos. Não houve mudanças na viscosidade do sangue, indicando que a alteração é qualidades do coágulo, não do fluido.
A equipe realizou um estudo cruzado, randomizado e controlado com oito homens jovens, entre 18 e 30 anos. Cada participante passou por uma sessão de repouso e outra com o Teste de Estresse Social de Trier, em dias distintos.
Durante o experimento, os voluntários prepararam um discurso por cinco minutos, apresentaram diante de uma câmera e de um painel, e resolveram cálculos sob pressão. Amostras de sangue foram coletadas antes e depois de cada sessão.
Os resultados indicam que o estresse eleva o radical livre ascorbato, marcador de estresse oxidativo. Simultaneamente, coágulos em formação tornaram-se maiores, mais densos e com fibrina, dificultando a circulação normal.
Conforme os pesquisadores, a via intrínseca da coagulação foi ativada pelos sinais de estresse. Entretanto, não houve evidência de aumento da espessura do sangue, o que desmonta a hipótese de hemoconcentração como principal mecanismo.
Os autores ressaltam que, apesar das mudanças observadas, o estudo não implica risco imediato de ataque cardíaco ou derrame. A amostra é pequena e exclusivamente masculina; são necessários muitos mais casos para confirmar a aplicabilidade.
O estudo sugere caminhos para pesquisas futuras, explorando vias bioquímicas do estresse para reduzir o risco cardiovascular. Novas abordagens poderiam priorizar a proteção do sistema de coagulação frente a situações estressantes.
Publicado originalmente no The Conversation, o trabalho reforça que a relação entre mente e corpo envolve mais do que aspectos psicológicos, abrindo espaço para entender mecanismos biológicos do estresse.
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