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DNA humano de ao menos 2 mil anos é encontrado em paredes de cavernas

DNA humano de pelo menos dois mil anos é encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal, abrindo a possibilidade de arquivo biológico preservado por milênios

Cientistas analisaram 24 painéis de arte rupestre em 11 cavernas — Foto: Alberto Martínez Villa/DW
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  • DNA humano de pelo menos 2 mil anos foi encontrado em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal, em 24 painéis distribuídos em 11 cavernas.
  • A descoberta faz parte do projeto FIRST ART e mostra que paredes rochosas podem preservar material genético antigo por milhares de anos.
  • Amostras vieram de locais como a Caverna do Covarón, na Espanha, e da Caverna de Escoural, em Portugal, entre paredes com pigmentação e sem pigmentação.
  • Não é possível vincular o DNA aos artistas que criaram as pinturas; pode ter sido deixado por qualquer pessoa que tocou a superfície.
  • A equipe vê as paredes das cavernas como “arquivos biológicos” da atividade humana antiga, abrindo caminho para estudos arqueológicos e genéticos com métodos minimamente invasivos.

Um grupo internacional de cientistas identificou DNA humano de pelo menos 2 mil anos em paredes de cavernas na Espanha e em Portugal. A descoberta, publicada na Nature, indica que rochas podem preservar material genético por longos períodos e amplia as perspectivas da arqueologia.

A pesquisa integra o projeto FIRST ART, voltado à arte rupestre. Em Maltravieso, na Espanha, foram estudadas algumas das pinturas mais antigas da Europa, com o objetivo original de datar pigmentos e desenhos.

Os pesquisadores analisaram 24 painéis distribuídos em 11 cavernas, incluindo traços simples, impressões de mãos em negativo e fragmentos de pigmento desprendidos de figuras. Amostras de parede, pigmento, sedimentos, ossos e uma ferramenta pré-histórica foram examinados.

Descoberta de DNA nas paredes

A equipe identificou DNA humano antigo em uma crosta calcária pigmentada da Caverna do Escoural, em Portugal, e, de modo surpreendente, em amostras da Caverna do Covarón, na Espanha. Vestígios biológicos foram encontrados em locais de coleta de controle, onde não se esperava DNA.

Apesar de não ser possível vincular o DNA às pessoas que criaram a arte rupestre, os autores ressaltam que esta é a primeira evidência de preservação de DNA em paredes de cavernas por milhares de anos. Não se pode concluir que o material pertença aos artistas, nem descartá-lo como proveniente de visitantes.

A pesquisadora Alba Bossoms Mesa, primeira autora do estudo, afirma que o tema pode revelar como populações antigas utilizavam cavernas e onde deixavam rastros biológicos. A antiguidade mínima do DNA é de cerca de 2 mil anos, com entradas seladas por desmoronamentos em alguns sítios há mais de 4 mil anos.

Implicações e próximos passos

Coautor Hipólito Collado aponta que as paredes podem atuar como verdadeiros arquivos biológicos da atividade humana antiga, abrindo caminhos para estudos genéticos em sítios pré-históricos com técnicas minimamente invasivas. O estudo reforça o potencial de conservar material biológico em paredes rochosas ao longo de milênios.

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