- A safra de Bordeaux de 2013 foi marcada como uma das mais desafiadoras em décadas, com condições climáticas ruins reduzindo rendimentos em várias propriedades.
- Diante disso, produtores recorreram à chaptalisation para aumentar o teor alcoólico dos vinhos finais.
- O Château Palmer informou ser a primeira vez desde 2004 que utiliza a prática, com fermentação levando a médias de 12,25% e adição de até 13% de álcool.
- No Château Montrose, dois lotes de Merlot foram chaptalizados; o restante chegou a 13% ou 13,5% de álcool potencial naturalmente, com a colheita encerrada em 15 de outubro.
- No Domaine de Chevalier e em Château Lafite-Rothschild, operadores adotaram ferramentas de vinificação com moderação: em média, cerca de 0,2% de álcool adicionado, mantendo equilíbrio natural; a União Europeia estabelece limite de 1,5% de álcool adicional por chaptalisation.
O enédito da safra de 2013 em Bordeaux foi marcado por condições climáticas adversas que reduziram a produtividade e levaram alguns châteaux a recorrer à chaptalização para elevar o teor alcoólico dos vinhos. A prática ganhou espaço entre grandes propriedades na semana de en primeur.
No Château Palmer, o diretor Thomas Durouz afirma à Decanter.com que 2013 foi a primeira vez que adotou a chaptalização desde sua chegada, em 2004. Segundo ele, os tanques tiveram média de 12,25% de álcool e a adição chegou a 13%, patamar não visto desde 1994.
No Château Montrose, Hervé Berland disse ter chaptalizado dois pequenos lotes de Merlot. Os demais cachos amadureceram naturalmente, com alguns chegando a 13% ou 13,5% de álcool potencial após a colheita, prevista para terminar em 15 de outubro.
A prática acontece sob regras da União Europeia, que desde 2008 flexibilizam a prática com limites por região. Para 2013, as regras estabelecem que não se pode adicionar mais de 1,5% de álcool por meio da chaptalização.
Alguns produtores optaram por tecnologia para concentração, mas o consenso entre parte dos enólogos é que o açúcar adicionado pode oferecer um equilíbrio mais suave. Durouz classifica a abordagem como um meio-termo cuidadoso.
Na Lafite-Rothschild, Charles Chevallier aponta que máquinas de concentração são uma ferramenta áspera. Ele afirma que a chaptalização em alguns tanques visava alcançar equilíbrio, sem chegar ao limite máximo permitido, segundo ele.
Olivier Bernard, do Domaine de Chevalier, destaca o uso cauteloso de ferramentas de vinificação. Em média, houve um acréscimo de 0,2% de álcool por meio da chaptalização, com variação entre tanques, mantendo o controle sobre o conjunto do vinho.
As regras da UE limitam em 13,5% o teor alcoólico para vinhos do sul da França em que a chaptalização foi aplicada. A prática recebeu o nome em referência a Jean-Antoine-Claude Chaptal, que descreveu o método em 1801.
Fonte: relato de produtores de Bordeaux durante a semana de degustação en primeur. Jane Anson atualizou informações sobre a safra de 2013.
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