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Empresas brasileiras enfrentam grandes perdas devido ao tarifaço de Trump

Empresas brasileiras enfrentam perdas e cancelamentos de pedidos devido a tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos exportados

Terminal Santos Brasil, no Porto de Santos. (Foto: Jonne Roriz/Agencia Estado/Exame/Dedoc)
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  • Os Estados Unidos impuseram tarifas elevadas sobre produtos brasileiros a partir de seis de setembro, afetando exportações, especialmente no agronegócio e na indústria.
  • Empresas como Frescatto e Ibacem enfrentam perdas significativas, com cancelamentos de pedidos e necessidade de redirecionamento de produtos.
  • A Frescatto, fornecedora de pescados, teve que oferecer um desconto de quarenta por cento para minimizar perdas, mas espera queda nas vendas.
  • A Ibacem, maior exportadora de mangas do Brasil, planejava exportar dezesseis milhões de toneladas, mas agora redireciona a produção devido ao aumento de tarifas.
  • A Associação Nacional da Micro e Pequena Indústria (Simpi) informa que cerca de três mil empresas estão enfrentando dificuldades e recomenda a busca por novos mercados.

A entrada em vigor das tarifas elevadas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, no dia 6 de setembro, já provoca prejuízos significativos para diversas empresas exportadoras. O impacto é sentido em setores variados, especialmente no agronegócio e na indústria, afetando tanto pequenas quanto grandes empresas.

A inclusão de quase 700 itens na lista de exceções alivia cerca de 40% das exportações brasileiras para os EUA, mas muitos negócios enfrentam dificuldades. Produtos como pescados, carne bovina, frutas e café agora enfrentam tarifas de até 50%, o que inviabiliza a competitividade no mercado americano. A Frescatto, fornecedora de peixes e lagostas, teve que oferecer um desconto de 40% em uma venda para minimizar perdas, mas ainda assim, a expectativa é de uma queda expressiva nas vendas.

Setores em Crise

A Ibacem, maior exportadora de mangas do Brasil, também sente os efeitos do tarifaço. Com a colheita programada para os próximos meses, a empresa planejava exportar 16 milhões de toneladas de manga, mas agora se vê forçada a redirecionar a produção. Nelson Costa Filho, presidente da Ibacem, afirma que o tarifaço gera um desequilíbrio nos preços, dificultando a venda em outros mercados.

A Soul Brasil Cuisine, que planejava enviar geleias para os EUA, teve que suspender seus planos. A empresa conseguiu revender parte da carga para a Europa, mas a produção de outra parte será cancelada. A Associação Nacional da Micro e Pequena Indústria (Simpi) relata que cerca de 3 mil empresas associadas estão enfrentando cancelamentos de pedidos e recomenda que busquem novos mercados.

Preocupações com Empregos

A Leardini Pescados, que exporta produtos como lagosta e atum, também enfrenta desafios. O sócio Attilio Leardini alerta para a possibilidade de perdas de empregos significativas no setor caso a situação não se reverta. A Abipesca, que representa 90% das exportações de pescado, pede ao governo federal uma linha de crédito emergencial para evitar um colapso.

A Forbal, fabricante de peças para tratores, teve que reavaliar sua estratégia de exportação após a imposição das tarifas. A empresa, que havia inaugurado um centro de distribuição na Flórida, agora enfrenta dificuldades para manter acordos com clientes americanos devido ao aumento de custos. A confiança depositada no mercado americano ao longo dos anos agora resulta em desafios financeiros para muitos negócios brasileiros.

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