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Peixes brasileiros enfrentam desafios com tarifas de Trump e crise no Vietnã

Piscicultura brasileira enfrenta crise severa com tarifas dos EUA e importação de tilápia do Vietnã, ameaçando empregos e produção nacional

Foto: Unsplash
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  • A piscicultura brasileira enfrenta uma crise após um crescimento significativo, com produção de 968.745 toneladas em 2024, aumento de 138% em relação ao ano anterior.
  • Os Estados Unidos absorviam quase 90% das exportações, mas tarifas de 50% e a importação de tilápia do Vietnã impactaram negativamente o setor.
  • O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Jairo Gund, prevê um prejuízo de R$ 600 milhões em 2025, resultando em férias coletivas e demissões.
  • O Paraná, maior produtor com 250.315 toneladas, é um dos estados mais afetados, com muitos produtores da agricultura familiar em risco de abandonar a atividade.
  • O setor busca alternativas, como a suspensão das importações do Vietnã e uma linha emergencial de crédito de R$ 900 milhões para ajudar os produtores.

A piscicultura brasileira enfrenta uma crise sem precedentes, após um período de crescimento robusto. Em 2024, a produção atingiu 968.745 toneladas, um aumento de 138% em relação ao ano anterior, com os EUA absorvendo quase 90% das exportações. No entanto, a imposição de tarifas de 50% pelos EUA e a liberação da importação de tilápia do Vietnã ameaçam o setor.

O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Jairo Gund, descreveu a situação como “o pior momento da história do nosso setor”. Ele estima um prejuízo de R$ 600 milhões em 2025, levando empresas a adotarem medidas drásticas, como férias coletivas e demissões. A pressão sobre o fluxo de caixa é intensa, e muitos produtores estão lutando para manter suas operações.

Impactos Regionais

O Paraná, que lidera a produção com 250.315 toneladas, é um dos estados mais afetados. Edmilson Zabott, presidente do sindicato rural de Palotina, alertou que muitos produtores, especialmente da agricultura familiar, podem ser forçados a abandonar a piscicultura e buscar trabalho em outras áreas. A situação é crítica, com o custeio da ração vencendo e sem compradores.

A C.Vale, uma das maiores cooperativas do Sul, já reduziu o abate de tilápias de 200 mil para 192 mil por dia. O diretor industrial, Reni Girardi, destacou a dificuldade em encontrar novos mercados que possam absorver a produção, especialmente em volumes comparáveis aos dos EUA.

Concorrência e Estratégias

Além das tarifas, a concorrência com a tilápia do Vietnã representa um desafio adicional. O governo brasileiro autorizou a importação desse produto, o que preocupa os representantes do setor, que temem pela segurança alimentar e pela sustentabilidade da cadeia produtiva local. Gund enfatizou a necessidade de fortalecer o mercado interno e ampliar o consumo de peixe nacional.

Diante desse cenário, o setor busca alternativas, como a suspensão das importações do Vietnã e a renegociação das tarifas com os EUA. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) também está pressionando por uma linha emergencial de crédito de R$ 900 milhões para ajudar os produtores a enfrentar a crise. A situação exige ação rápida e eficaz para evitar um colapso no setor.

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