- As vendas no varejo brasileiro caíram 0,1% em junho, marcando o terceiro mês consecutivo de recuo.
- O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esperava um crescimento de 0,7%.
- As ações de empresas do setor, como CVC Brasil e GPA, tiveram quedas significativas no Ibovespa.
- O aperto monetário do Banco Central, com a taxa Selic em 15%, impacta o consumo e o crédito.
- Apesar da queda nas vendas, o mercado de trabalho permanece aquecido, o que pode sustentar o poder de compra.
As vendas no varejo brasileiro apresentaram uma queda de 0,1% em junho, frustrando as expectativas do mercado. Este resultado marca o terceiro mês consecutivo de recuo, refletindo um cenário de desaceleração econômica. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados nesta quarta-feira, 13, indicando que a expectativa era de um crescimento de 0,7%.
As ações de empresas do setor reagiram negativamente, com perdas significativas no Ibovespa. CVC Brasil (CVCB3) liderou as quedas, com um recuo de 12,07%, seguida por GPA (PCAR3), que caiu 8,91%. Outras empresas como Marfrig (MRFG3) e Lojas Renner (LREN3) também registraram perdas expressivas, refletindo a fragilidade do comércio.
Contexto Econômico
O cenário de desaceleração é atribuído ao aperto monetário promovido pelo Banco Central, que mantém a taxa Selic em 15%. Esse aumento nas taxas de juros impacta diretamente o crédito e, consequentemente, o consumo. Leonardo Costa, economista do ASA, destacou que os sinais de fraqueza no comércio são cada vez mais evidentes, com recuos em segmentos que antes eram resilientes.
Apesar da queda nas vendas, o mercado de trabalho continua aquecido, o que pode ajudar a sustentar o consumo. Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, apontou que a massa salarial robusta e o aumento da ocupação ainda favorecem o poder de compra dos consumidores.
Desempenho Setorial
Na análise setorial, cinco das oito atividades monitoradas pelo IBGE apresentaram perdas. Os segmentos mais afetados incluem equipamentos e material para escritório, móveis e eletrodomésticos, e supermercados, que registraram quedas entre 0,5% e 2,7%. Por outro lado, categorias como tecidos, vestuário e combustíveis mostraram crescimento, embora modesto.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção, as vendas caíram 2,5% em junho. A Genial Investimentos observou que, apesar da trajetória de desaceleração, o setor ainda se encontra próximo de patamares elevados em sua série histórica, sugerindo uma resiliência diante de um contexto macroeconômico desafiador.
Entre na conversa da comunidade