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Alternativas ao fertilizante russo ganham espaço com ameaça de Trump no mercado agrícola

Brasil busca alternativas para reduzir em 50% a dependência de fertilizantes importados até 2050, diante de novas penalidades russas.

Pó de rocha reservado para uma plantação de soja na cidade de Mineiros, sudoeste de Goiás (Foto: Divulgação)
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  • O Brasil depende fortemente de fertilizantes químicos importados, especialmente da Rússia, que fornece 76% do nitrogênio, 55% do fósforo e 94% do potássio utilizados na agricultura.
  • Com as novas penalidades de Donald Trump a compradores de bens russos, o país busca alternativas para reduzir essa dependência em 50% até 2050.
  • O uso de bioinsumos e pó de rocha está sendo incentivado, mas ainda representa uma pequena parte da produção agrícola.
  • O Plano Nacional de Fertilizantes, publicado em 2023, visa promover insumos alternativos, enfrentando desafios como a falta de incentivos fiscais e consultores qualificados.
  • A Embrapa investe em projetos relacionados a bioinsumos, enquanto a Petrobras planeja investir R$ 900 milhões em fertilizantes entre 2025 e 2029.

O Brasil enfrenta uma dependência crítica de fertilizantes químicos importados, especialmente da Rússia, que fornece cerca de 76% do nitrogênio, 55% do fósforo e 94% do potássio utilizados na agricultura nacional. Com a recente imposição de penalidades por Donald Trump a compradores de bens russos, incluindo fertilizantes, o país busca alternativas para reduzir essa dependência. O objetivo é diminuir em 50% as importações até 2050.

A transição para alternativas como bioinsumos e pó de rocha está em andamento, mas ainda representa uma parcela pequena na produção agrícola. Reginaldo Minaré, da Abbins, destaca que a dependência de fertilizantes químicos é um “passivo de longa data”, mas existem soluções viáveis. Clenio Pillon, da Embrapa, ressalta que os custos dos fertilizantes agora representam de 15% a 30% do custo de produção, além da crescente pressão por práticas agrícolas sustentáveis.

Alternativas em Desenvolvimento

O Plano Nacional de Fertilizantes, elaborado em 2021 e publicado em 2023, identifica estratégias para reduzir a dependência externa. O plano, embora conservador, visa convencer os agricultores a adotarem insumos alternativos. A resistência se deve a fatores como a falta de incentivos fiscais e a escassez de consultores qualificados em métodos alternativos.

Rogério Vian, produtor em Goiás, já utiliza remineralizadores em suas plantações e observa que o uso de pó de rocha pode enriquecer o solo com até 98 elementos. Ele acredita que a crise atual oferece uma oportunidade para expandir o uso de alternativas sustentáveis, especialmente após a guerra entre Rússia e Ucrânia, que afetou o fornecimento de potássio.

Desafios e Oportunidades

Apesar das vantagens, a adoção de remineralizadores enfrenta desafios logísticos, pois a viabilidade econômica é limitada a um raio de 300 km da origem do produto. O governo reconhece a necessidade de desenvolver cadeias produtivas regionais para facilitar o uso desses insumos. Minaré aponta que a economia gerada com a adoção de bioinsumos pode chegar a 30%.

A Embrapa está investindo em 331 projetos relacionados a bioinsumos, buscando fortalecer práticas de manejo sustentável. O plano nacional também enfatiza a importância de um conjunto de estratégias que inclua o uso de resíduos orgânicos e boas práticas agrícolas, como o plantio direto. A Petrobras, por sua vez, planeja investir US$ 900 milhões em fertilizantes entre 2025 e 2029, visando recuperar fábricas e aumentar a produção nacional.

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